Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.
Theo Jansen é um escultor Holandês que faz objectos que parecem bichos e movimentam-se pela acção do vento e da água. “Parte de mim é um engenheiro que quer resolver o problema da mobilidade, outra parte de mim é um artista que esculpe o ar à sua volta”.
Março 29, 2008 às 12:14 am · Arquivada em televisão
Fotos de Hu Yang
Este documentário de 4 episódios tem dado aos domingos na rtp2 e mostra uma China a entrar na globalização, os grandes contrastes desse crescimento (ricos e pobres), muito parecido com o que acontece neste mundo do liberalismo económico.
Março 27, 2008 às 11:48 am · Arquivada em exposições
Fui ver esta magnífica exposição na Fundação Calouste Gulbenkian. O que mais me fascinou foi a forma de representação figurativa que encontrei, a riqueza dos pormenores, a beleza dos estampados (roupas, tecidos), os motivos vegetais, astúcia quase milimétrica da representação (barbas, cabelos, bigodes), as surpresa das cores (cores que nunca tinha visto antes), a precisão na representação linear (dobras, tecidos).
Baudelaire é um poeta françês percursor do Simbolismo. As suas ideias sobre arte inflenciaram o modernismo europeu.
“… Nous voulons, tant ce feu nous brûle le cerveau,
Plonger au fond du gouffre, Enfer ou Ciel, qu’ importe?
Au fond de l’ Inconnu pour trover du nouveau!”
Este poema transporta-nos para um cenário de Inferno, Céu, fogo e abismo. Palavras que não nos deixam indiferentes, pelos seus significados. O autor não nos quer aliviar a emoção. As palavras tem uma força, valem por si, pela sua intensidade dramática. Através de uma acumulação de símbolos, o autor conduz-nos para a emoção. Que fogo será este a que se refere? Será o fogo do carvão arder num motor da revolução industrial; do sol, astro celestial do desejo romantico; da “Razão Triunfante” de Augusto Comte com o Positivismo; será que a concepção científica e materialista das coisas, esquecendo o sonho e a espiritualidade “… nous brûle le cerveau”; a chama de uma moral burguesa convergente, que deverá ser quebrada, transgredida e chocada? Encontramos também aqui uma necessidade de invasão, um desejo pelo desconhecido, fugir do fogo, a necessidade de viajar, uma viagem mental, uma viagem artificial utilizando o ópio ou o vinho. Anseia por uma liberdade e por entrar no paraíso. Aspira evadir-se do real, sonhando por uma segunda realidade, mas esta residente na arte. A referência ao abismo, Inferno e ao Céu, elementos bíblicos muito característicos de uma estética do simbolismo. O Inferno e o abismo, que encontramos sistemáticamente na obra do autor, ou não fosse ele poeta maldito. “…pour trover du nouveau!” A necessidade de encontrar um novo, talvez um novo ideal de beleza, onde a Arte tem o seu papel de nos fazer transportar para esse belo, para essa espiritualidade. O poema evoca uma musicalidade, provocada pelo seu ritmo, pela sua rima, expressando e realçando todo o conteúdo. Com a sonoridade das palavras o autor transporta-nos para o mundo das sensações, característica de uma estética Simbolista. Podemos dizer que estes sinais que Baudelaire apresenta no poema , são produto de um ambiente cultural de final de século, onde o pessimismo dos Decadentes se combina com valores estéticos do Simbolismo.
O lendário designer Milton Glaser, autor de I love NY, partilha num vídeo realizado por Hilman Curtis as suas ideias sobre o design. MG acredita na função social do design, o seu trabalho é profundamente humanista. http://www.miltonglaser.com/
Anuncia nas paredes com elementos luminosos a sua inconformidade perante o mundo, do que somos e do que não conseguimos ser, a nossa animalidade. Anuncia os seus desejos e os seus prazeres. Jenny Holzer diz que fica feliz quando o seu material se mistura com os cartazes publicitários.
Pretende-se a construção de um jogo de xadrez gigante em cartão para o hall de entrada da escola.
Duvido às características do cartão e aos escassos recursos técnicos há necessidade pensar o jogo com formas estilizadas e geometrizadas para ser possível a sua construção.
1. Investigação sobre a história do xadrez, sua simbologia e iconografia.
2. Criação de ideias de peças fazendo esboços e pequenas maquetas.
3. Escolha de uma das propostas
4. Desenho da peças e execução da maqueta em cartolina
5. Experimentação do cartão, execução de uma estrutura tendo em conta a resistência das peças
6. Organização da turma, inventário dos procedimentos de trabalho, materiais e instrumentos, distribuição do espaço de trabalho, distribuição de responsabilidades – um responsável pela produção, um responsável por cada fase de trabalho.
7. Execução do xadrez
8. Avaliação da unidade, colocação do jogo e torneio entre alunos
“A Casa não Casa esconde-se atrás de espelhos. Espelhos em forma de bico. Reflectem nem sempre aquilo que se vê. Perlonga, mimetiza, camufla, copia, esconde, mas deforma. Não se consegue fixar uma imagem num espelho, mas ainda assim olhamo-nos ao espelho para nos vermos. Para ver como estamos. Essa imagem que temos de nós não se fixa, não é provavelmente real, mas reflecte-se e é essa a imagem que acompanha a nossa identidade.” Pedro Campos.
Os projectos de Pedro Campos tem um cariz muito experimental, com isso ele consegue percorrer as novas necessidades, consegue introduzir outras poéticas, tecnologias emergentes e uma nova geometria. No entanto assume a identidade cultural “As casas pátio são um paradigma da arquitectura mediterrânica”. Aproxima: a utopia à realidade, o sonho ao concreto, a arte ao cidadão. É assim com este projecto da Casa Não Casa que foi pensada no âmbito do Experimenta Design.
Pedro Campos nasceu em Lisboa depois de 68 (não sei quando, mas sei que é um pouco mais novo do que eu) e vive em Lisboa onde tem o seu atelier. http://www.camposcosta.com/
Foi no blog da Marta http://linkarte.blogspot.com/ que encontrei esta possibilidade expressiva, aliás este blogue tem muitas sugestões, tanto para professores, como para alunos.
“O que eu gostava verdadeiramente era de escrever, mas não tenho esse dom, então procuro escrever com luz.” José Boldt é um fotógrafo Português – n Porto e vive em Loures. Admiro as suas composições geométricas, assim como os motivos muito padronizados. http://wwwescrevercomluz.blogspot.com/
Hoje em dia torna-se impossível ler na maioria dos cafés, há sempre uma ou mais televisões com um som altíssimo que não nos deixa sossego, nem em silêncio para os nossos pensamentos. Claro que com a televisão alta as pessoas falam mais alto e o barulho é enorme. Proibiram fumar nos cafés e restaurantes, eu pergunto se este barulho não fará pior à saúde? Ainda há a velha pastelaria Ramos em Aveiro que é uma das poucas que resistiu ao flagelo da televisão aos altos berros. Mas vejamos o que Arno Stern no escreveu nos anos 60 a propósito disto ” …As pessoas aborrecem-se e têm tanto medo do seu próprio vazio que sentem a necessidade da droga sonora …” in Stern, Arno “A Expressão”. Na escola este fenómeno tem consequências, só se consegue a motivação de alguns alunos se colocarmos este “barulho” excessivo, o ritmo tem que ser outro, temos que dançar ao som, não de uma valsa mas de um hiphop, só com este barulho entramos neles, consequência das opções dos novos tempos.
“A primeira expressão do homem, como seu primeiro sonho foi estética. A fala foi uma explosão poética, e não uma exigência da comunicação. O primeiro homem, ao gritar as suas consoantes, fez como uma manifestação de espanto e raiva ante o estado trágico da sua auto-consciência e da sua impotência diante do nada.” Barnett Newman nasceu em Nova Iorque em Janeiro de 1905. Acreditava que o acto estético foi o primordial, o essencial, o fundamental.
Março 15, 2008 às 10:14 am · Arquivada em minimagens
A Carolina é uma menina que tem umas asas enormes
voa por sítios misteriosos e desconhecidos.
A Carolina também tem uns olhos grandes e brilhantes
consegue ver tudo o que encontra pelo mundo
uma pedra aqui, uma flor ali, e um pássaro acolá.
A Carolina tem guelras como os peixes,
por isso mergulha destemidamente em águas doces e profundas
investiga o fundo do mar, à procura da beleza
cada concha, cada peixe, cada estrela são seus irmãos
As mãos da Carolina desenham
o que existe e o que não existe
a realidade e a ficção
o mundo de fora e o mundo de dentro.
Cada traço, cada letra, cada palavra, cada frase, cada figura
são feitas com uma poética exactidão
para poderem ser partilhados plenamente com os outros.
Ainda não vos falei do melhor,
a gargalhada da carolina
que nos envolve numa alegria constante e absoluta.
Apetece estar com ela,
cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo passados com ela
são tempos grandiosos e puros.
É assim a Carolina, a minha filha.