Hoje em dia torna-se impossível ler na maioria dos cafés, há sempre uma ou mais televisões com um som altíssimo que não nos deixa sossego, nem em silêncio para os nossos pensamentos. Claro que com a televisão alta as pessoas falam mais alto e o barulho é enorme. Proibiram fumar nos cafés e restaurantes, eu pergunto se este barulho não fará pior à saúde? Ainda há a velha pastelaria Ramos em Aveiro que é uma das poucas que resistiu ao flagelo da televisão aos altos berros. Mas vejamos o que Arno Stern no escreveu nos anos 60 a propósito disto ” …As pessoas aborrecem-se e têm tanto medo do seu próprio vazio que sentem a necessidade da droga sonora …” in Stern, Arno “A Expressão”. Na escola este fenómeno tem consequências, só se consegue a motivação de alguns alunos se colocarmos este “barulho” excessivo, o ritmo tem que ser outro, temos que dançar ao som, não de uma valsa mas de um hiphop, só com este barulho entramos neles, consequência das opções dos novos tempos.


Tem razão, até no “meu café”, vivo numa média torre, o café do Sr. Santos fica lá em baixo. De há uns anos para cá tornou-se um galinheiro. Sim, porque sendo um pequeno café de bairro, digamos assim, pois não fica no centro da Parede, além da televisão que normalmente está num canal que dê futebol, para os homens, temos as mulheres. Ao sábado de manhã, quando tinha o Francisco, “desligávamos” e a coisa passava, agora sozinha, para não ser antipática e mal-educada, tenho que dar a minha “bicada”, depois disfarço e lá consigo ler um pouco o Jornal.
Muita paciência – também deve fazer parte da natureza de um professor? Acredito que ainda exista “natureza” e “professores”. Penso que se tem que continuar a acreditar em muitas coisas, senão é o desabamento.