Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.
Nasceu em 1970 em Leiria fotógrafa residente do jornal Blitz desde 1992, por essa rezão tem sido a fotógrafa dos músicos, os seus retratos são tem carisma e são brilhantemente bem executados.
Hilman Curtis é um designer norte americano que se dedicou muito à multimédia. Os seus retratos em movimento inovadores. Vale a pena visitar o seu site e ver as váriadas reportagens que fez assim como os seus filmes de animação. http://www.hillmancurtis.com/ Animação para adobe
Junho 28, 2008 às 2:13 pm · Arquivada em minimagens
Quando passeamos pela manhã,
encontramos pessoas na rua.
Cumprimentam-nos.
Dizem-nos.
Quase sempre.
Aquilo que nos dizem,
as falas dessas pessoas,
são beijos, abraços de amigos,
outras são facadas, bofetadas.
Umas deixam qualquer coisa no ar,
incomodam,
uma leve intriga.
Outras falam com os olhos,
coisas confortáveis.
Ficamos deitados no aconchego
dessas falas,
das autênticas
das feitas com o corpo todo,
das que não mentem.
Junho 28, 2008 às 1:45 pm · Arquivada em minimagens
Um homem ficou sozinho na noite.
À chuva, à neve, ao vento.
O homem na rua, no escuro.
Ao sol, ao calor.
Permanece imóvel.
O homem permanece.
Imóvel.
Uma estátua.
Exposto aos olhares.
Imóvel.
Ali no escuro da rua.
Sozinho.
O homem escuta:
o barulho que a chuva faz na sua cabeça;
o barulho do silêncio da noite;
o barulho do sol a queimar a testa;
o barulho da sua solidão;
o barulho dos sensos olhares;
o barulho da sua angustia por estar ali,
excluído de um abraço, de um beijo, de uma palavra.
Em Aveiro há um lugar mágico e especial. Perto do Tribunal, na continuidade da rua do Governo Civil, quase no fim da rua para quem se dirige para o Teatro Aveirense. Chama-se Langue D’Oc e é um lugar muito peculiar. Ao contrário das bertrand, corte ingleses e fnacs, na livraria da Odete somos muito bem recebidos, os livros estão aparentemente desarrumados (a Odete sabe onde estão todos) e quem vende os livros ama-os. Se não soubermos bem o que havemos de comprar para um amigo, e dissermos à Odete quais são os gostos desse nosso amigo a Odete recomenda-nos o livro certo. Acerto sempre, por vezes consigo oferecer a esse amigo o livro que ele queria mas nem sabia que existia. Mas o que é bom na livraria da Odete é que podemos estar lá a ler e a conversar. As pessoas que passam na rua são todas amigas da Odete recebe bem todos os amigos e clientes. Na livraria da Odete, e porque a Odete gosta de livros, há livros que não existe nessas outras livrarias (supermercados de livros). A colecção de livros infantis e a colecção de filosofia (o meu pai me diz que é boa).
A minha filha passa horas a desenhar, se lhe derem um lápis ou uma caneta ela senta-se e desenha, desenha e desenha. Os desenhos dela são se uma delicadeza, uma poética original. Tenho algum receio que ela chegue à escola e os professores não saibam encontrar valor na expressão dela, a desmotivem. Eu sei que a vacinei para isso, mas o vírus da “chatice” anda muito pelas escolas e está associada ao vírus da “falta de cultura visual e estética”. Vamos ver se o sistema imunitário dela aguenta com violentos ataques destes malfeitores vírus.
A escrita está extremamente enraizada no homem, tornando a anunciada morte da escrita uma utopia longínqua no entanto alguns fenómenos acontecem: o logótipo da Shell, da Nike e da Mac prescindiram da letra, ou seja da palavra; na escola existe os que Luc Ferry definiu como os “excluídos da cultura escrita”; O Jornal Publico introduziu pequenos filmes no seu jornal on-line, estarão a substituir as letras pelos filmes. Que interpretação podemos dar e estes fenómenos? A escrita está em declínio fruto de formas mais multimodais de comunicar esta é a tese de Pierre Lévy de uma ideografia dinâmica.
Jorge Molder faz auto-retratos criando a personagem e uma narrativa complementar. Adivinha-se um ser solitário e introspectivo. Retratos em quadrado. Um certo dramatismo e intensidade provocado por uma incidência de luz e que localiza a acção, uma acção discreta, insignificante.
Há 3 anos atrás tive uma oportunidade de ter uma experiência profissional diferente. Fiz dois sites para uma empresa. Tive que compreender os conceitos envolvidos e tentar expressar esses conceitos, procurando a satisfação do cliente e a minha dignidade. Ambos foram para a empresa RVDM. O primeiro para o portfólio da empresa, o outro foi para um conjunto habitacional.
Para RVDM tentei compreender o conceito do arquitecto, valorizando as fotos, procurei ter uma intervenção minimalista. No menu principal aparece uns botões transparentes com limites em branco, o branco foi a cor escolhida por ser discreto e quase nulo. A entrada do menu procurei repetir os módulos característicos na arquitectura de RVDM.
Para a Quinta do Corisco tentei reproduzir a ideia de aproximação da natureza, por isso o verde foi a cor escolhida, as imagens escolhidas foram muito próximas daquele espaço natural, há uma pequena ribeira, muito arvoredo. Procurei representar um aspecto arquitectónicos saliente neste conjunto habitacional, uma espécie de moldura nas janelas traseiras das casas. Claro que trabalhar nestas condições simples pois a arquitectura de RVDM é facilitadora.
Este ano, na área de projecto com os meus alunos do 5º ano fizemos, eu e a minha colega Cristina Melo, um vídeo. O Professor de Educação Musical fez a música. Nas aulas de projecto fizemos a letra, um guião, o filmamos, montámos parte do filme (a outra parte fiz em casa). Foi divertido, aprendemos todos, quero continuar a fazer filmes com os alunos.
“Mandei um moço para a câmara de gás de Huntsville. Um e só um. (…) Ele tinha matado uma rapariguinha de catorze anos (…). Os jornais disseram que tinha sido um crime passional, mas ele disse-me que a paixão não era para ali chamada. Ele namorava com aquela moça, apesar de tão novinha. Tinha dezanove anos, o fulano. E disse-me que andava a planear matar alguém há imenso tempo, já não se lembrava há quanto. Disse-me que se o libertassem voltava a fazer o mesmo. Disse-me que sabia que ia direitinho para o inferno. Disse-mo ele próprio sem rodeios. Não sei o que pensar disto. Não sei mesmo. Fiquei com a sensação de que nunca tinha encontrado um fulano assim e dei por mim na dúvida se ele não pertencia a uma nova casta de pessoas. (…)”
Arquitecto brasileiro (1907), foi impulsionador e projectista de Brasilia onde reside grande parte da sua obra. Nos seus projectos utiliza formas curvas muito elegantes, os edificios parece que estão suspensos no ar.