Geométricas

Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.

Oscar Brenifier

Oscar Brenifier diz que a filosofia faz-se em qualquer idade. Numa entrevista da Notícias Magazine de domingo ele partilha as suas ideias e métodos. Este académico e pedagogo considera que “As crianças que têm filosofia são mais conscientes de si mesmas, mais tranquilas e, ao mesmo tempo, mais cuidadosas quando escutam os outros, mais capazes de desenvolver um pensamento crítico. São crianças que conseguem examinar uma ideia, que conseguem escutar os outros e concentrar-se com mais facilidade. A filosofia para crianças não é só uma disciplina. É mais do que isso. É transversal a várias áreas do conhecimento.” e que “…o que a criança diz é profundo ou é um sinal de genialidade”.
Ao ler a entrevista lembrei-me da Visual Thinking Strategies que propõe que o aluno fale de uma obra de arte antes de lhe darmos qualquer conceito. O resultado é surpreendente, pois, os alunos apresentam ideias originais e longe dos nossos preconceitos. OB diz que “Uma criança de quatro anos pode pensar, com a sua experiência de quatro anos no que é a morte” (por exemplo) “Quando uma criança tem uma pergunta, não devemos precipitar-nos e dar-lhe uma resposta tipo para aquela situação. Devemos, antes, perguntar-lhe o que pensa sobre a morte” (por exemplo) “Devemos tentar aprofundar o seu pensamento. Há que valorizar a sua capacidade autónoma de pensar…”
Sobre a metodologia de trabalho OB diz que vai a “… várias escolas e entrego uma folha a cada criança. Peço-lhes para escreverem as perguntas que consideram mais importantes. Guardo as folhas, escolho as mais pertinentes e volto a distribuir. Depois, peço-lhes que escrevam três respostas para cada pergunta. No fim de tudo, comparo o que as crianças me disseram com aquilo que disseram os filósofos.(…) Há uma correspondência incrivel entre as questões levantadas pelos filósofos e aquilo que vai na cabeça das crianças.”

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