Geométricas

Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.

À entrada da cidade

Um poema que fiz à um ano e meio, espero entretanto não ter sido devorado pelas hienas que circundam a cidade. Eu que ainda estou à entrada da cidade.

Para as hienas foi um ano de grande felicidade.
Encontraram um elefante morto na entrada da cidade.
Encontraram um elefante em decomposição à entrada da cidade.
Comeram que se fartaram, a carne estava um pouco podre, mas comeram que se fartaram à entrada da cidade.
Foi um momento raro de felicidade na vida vazia das hienas.
Foi um grande momento para recordar sempre que entrarem na cidade.
Dirão umas para as outras “lembram-se naquele ano, tanta carne à entrada da cidade”.
Agora terão que esperar pelos próximos meses, talvez outro elefante morra à entrada da cidade.
E eu estou por um fio, estou à entrada da cidade.
Eu estou a ficar um pouco louco, ainda bem, porque senão serei comido mesmo aqui na entrada desta cidade.

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