
Sobre o post do dia 3 de Março e os comentários subsequentes respondo:
Tenho alguma dificuldade de encontrar o rei no meio da multidão, depois, parece-me mais que todos andam a dizer que o rei vai nu, mas na verdade (a minha) o rei anda bem vestido. E o que é bem vestido? Não sei, para mim anda muito bem vestido que só um rei, dos nobres, vestia assim tão bem.
Mike Kelley tem uma frase que ilustra o post – “Os Artistas são pessoas a quem a sociedade concede o privilégio de agir de uma maneira que não é a que se espera por parte dos adultos.” As crianças da pré tem a espontaneidade de fazerem coisas que facilmente passariam por objectos artísticos. Claro que cada vez mais, tanto nas artes plásticas, como na literatura, ou noutra área artística, precisamos de ouvir o criador (mesmo que aparentemente ele não diga nada) para compreendermos um percurso, o envolvimento com a obra de arte, a empatia, encontrarmos a metáfora (difícil entender isto). Pierre Bayard tem uma frase sobre a cultura ilustra o facto de não sabermos bem se o rei vai ou não nu “(…) pois sabemos bem que toda a cultura, mesmo aprofundada, se constrói à volta de lacunas e falhas (…)” porque somos todos criadores de cultura, os que fazem a obra e os que dizem os disparates à volta da obra e mesmo aqueles que dizem que o rei vai nu, representam uma verdade perante a situação. Todos são magníficos de cultura e contra-cultura (que é uma forma de cultura). Falta a última citação (para pensarem que eu sou muito culto) “Arte é o que fazemos. Cultura é o que fazem de nós” Carl Andre.
Geométricas
Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.O Rei Vai Nu
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A maneira como vemos e representamos graficamente “depende e varia com a experiência, prática, interesses e atitudes” Goodman, Nelson (2006), “Linguagens da arte: Uma abordagem a uma teoria dos símbolos”.
Claro que a arte depende de quem a faz e de quem a olha. Continuo a pensar que esta experiência do quadro das crianças é “apenas” uma experiência chamem arte ou não. Martin Kippenberger tem uma obra intitulada “anunciando a banalidade” feita com coisas ditas banais que ilustra bem esta situação. Penso que também podia ter sido um quadro feito por gatos, uma melodia de um pássaro, as manchas da chuva numa chapa, etc, isso seria arte?….?
Acho fantástica a ideia da educadora ter colocado lá o quadro (o seu acto para mim é profundamente artístico), pois fez pensar, demonstrou como temos sempre ideias feitas, e na ponta da língua, além de estarmos preocupados com o falar politicamente correcto.
Obrigado pela vossa resposta.
Com estima
Fernando Rodrigues
Queria compartir convosco uma frase de Rilke :”Uma obra de arte é boa quando nasce de uma necessidade:é a natureza da sua origem que a julga” – do pequeno e magnifico livro “Cartas a um jovem poeta”.Parece que o tema é antigo e que todos lemos.Tomei nota e fiquei com vontade de ler M.Kelly,N.Goodman,M.Kippenberg.

Acho que aqui a questão tem de ser colocado tal como a colocou o filósofo Nelson Goodman: não faz sentido perguntarmos se isto ou aquilo é ou não é arte, mas antes “quando é arte”? Ou seja, em que contexto(s) determinado objecto é considerado obra de arte e porquê. Essa legitimação não é feita pelo público mas pelos experts, o público fará outra…
Vejam Goodman, Nelson – Modos de fazer mundo.