Geométricas
Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.Arquivo de Outubro, 2010
53º Perder o medo dos cães velhos
No verão, nos dias de calor, por volta das seis horas os cães ladram a todos que passam de bicicleta, eu conheço uma centena de locais que no verão isto acontece. Ao andar de bicicleta temos que controlar este medo, porque pode ser perigoso um desvio na estrada, podemos ficar atropelados, ficar parados a sangrar por todos os lados no meio da estrada. Então aos pouco eu controlei esse medo. Agora posso dizer que não tenho medo dos cães, nem dos cães velhos que são mais astutos e não ladram, só mordem. Como aquele que se fala: O cão velho que parecia uma raposa disse ao homem. Farás o que te mando, depois serás meu escravo. Ficarás preso a este pé de cadeira por uma trela. O homem perguntou ao cão velho que parecia uma raposa porque lhe fazia isto. O cão velho disse ao homem. Porque tu és homem e sou cão, nunca podemos ser amigos, um tem que subjugar o outro e hoje sou eu que o faço e pretendo eternizar esta nossa relação. Mas o homem sabia como se libertar do cão velho que parecia uma raposa, a sua trela não era suficientemente resistente para a sua inteligência. O homem tinha inteligência e o cão velho apenas astucia. O cão velho gostava de observar do alto da sua torre todo o seu território, aquele que ele conquistou com tempo. Observou como os outros seres, uns cães, outros gatos e outros homens se deslocavam por lá, eram todos seus prisioneiros, seus escravos que ele domesticou com promessas, tornou-os doces e obedientes, apenas este era o que resistia, teria que ter a lição merecida. O cão velho que parecia uma raposa não sabia que da inteligência de um homem pode vir um grito de fúria, um grito audível num universo inteiro, um grito que não fere os ouvidos e faz com que os outros vejam melhor. Além de mais o cão velho está cheio de carraças que o sugam o sangue. Ele não sabe que está seco por dentro.
Desenho da Rafaela
Chama-se a isto pensamento criativo, não interessa tanto a capacidade de desenho, mas a ideia que está neste desenho. A Fotografia foi tirada com telemovel por isso a qualidade é fraca. A Rafaela tem 12 anos e é minha aluna.
Desenho da Rafaela – “Só voas quando eu terminar. Sim?”
52º Sentir o palpitar da terra novamente
1886
Oil on canvas
37.5 cm (14.76 in.) x 45 cm (17.72 in.)
Van Gogh Museum, Netherlands.
Aquele foi o tempo que nos fechamos: em casa, no centro comercial, dentro do carro. Tivemos medo do frio, do calor, da chuva. Nunca mais sentimos o palpitar da terra.
Neste par de sapatos de Van Gogh que se apresentam cheio de terra, de alguém que a trabalha, sente o ritmo das estações, conhece os ciclos, distingue o tempo de semear e do colher. Nós perdemos tudo isto, eu que o diga que vivi sempre numa pseudo-cidade, sou um suburbano.
Andar de bicicleta é a forma de resistir a esta minha condição de pequeno burguês acomodado. No sitio onde impera “O Temos que ter um carro melhor que o vizinho” reivindico a necessidade de sentir o vento frio na cara e o calor no corpo. Movimentar-me pelos meus próprios meios. Lutar contra as adversidades (que são imensas).
Wilhelm Sasnal

Wilhelm Sasnal
Girl Smoking (Peaches)
2001
Oil on Canvas
33 x 33cm
Wilhelm Sasnal
Girl Smoking (Dominika)
2001
Oil on Canvas
33 x 33cm

Wilhelm Sasnal
Girl Smoking (Anka)
2001
Oil on Canvas
45 x 50cm
51ª Vantagem de não andar fechado dentro de um carro e ir de bicicleta
51ª Sensação de liberdade, quase igual aquela que o motard sente na sua mota. Melhor ainda porque, quem anda de bicicleta, têm a verdadeira consciência que possui os músculos, os osso e a energia que permite a deslocação, na moto tem que se parar na estação de combustível. Posso ainda fazer uma outra comparação melhor: Podemos dizer entre o andar de bicicleta e o andar de carro ou moto é comparado com o ler um livro e ver um filme. Ao ler um livro sabe-se mais tarde o final no entanto desfruta-se mais da história. Andar de carro pode-se chegar mais depressa mas não se usufrui tanto do passeio.
50 vantagens em andar de bicicleta
1º Poupa-se dinheiro
2º Popa-se gasolina
3º Mais amigo do ambiente
4º Vê-se melhor a cidade
5º Vê-se melhor as pessoas
6º Ganha-se mais amigos
7º Cumprimenta-se as pessoas
8º Não se atropela mortalmente as pessoas, os cães e os gatos
9º Sente-se melhor as condições atmosféricas
10º As nossas distracções não implica riscos para os outros
11º Podemos ir a sonhar
12º Podemos ir a pensar na vida
13º Não ficamos irritados com os outros automobilistas que andam mais devagar ou mais depressa
14º Ganha-se equilibrio
15º Apanha-se sol
16º Apanha-se vento
17º Por vezes parece que voamos
18º Poupa-se no ginásio
19º Poupa-se no tempo para ir ao ginásio
20º É pedagógico
21º É um transporte muito democrático (toda a gente pode ter uma bicicleta)
22º Poupa-se espaço no estacionamento
23º Provoca-se menos transito e filas
24º Quem anda mais depressa é quem tem bons músculos e não que tem dinheiro para ter um carro melhor
25º Respeita-se mais os outros
26º Fazemos menos importações (uma bicicleta pode ser fabricada em Portugal por empresas portuguesas)
27º Gasta-se menos pneus (que são maus para o ambiente)
28º Podemos parar para conversar com os amigos
29º Podemos apanhar atalhos
30º Podemos andar em contramão
31º Podemos não parar nos stops
32º Não deita gases para atmosfera (apenas os nossos gases que são naturais)
33º Podemos estacionar nos passeios (nos poucos que há)
34º Podemos andar por caminhos
35º Podemos olhar para os olhos das pessoas
36º Vê-se tudo
37º Ficas bem disposto
38º Não contribui com o aquecimento global
39º É silencioso andar de bicicleta
40º Não precisa de seguro
41º Ficas em forma
42º Transforma a tua gordura em energia
43º Não paga estacionamento
44º Ficas mais persistente
45º Ultrapassas mais depressa qualquer desafio
46º Dormes melhor
47º Ficas com o coração maior
48º O planeta fica mais teu amigo porque tu estás a ser muito amigo do planeta
49º Nunca és multado
50º Não precisa de ir à inspecção
Pensamento criativo

“The Treachery of Images” de René Magritte
Por vezes fico apreensivo como funciona em muitas escolas a disciplina de Educação Visual e Tecnológica porque se valoriza a aprendizagem técnica e não o pensamento criativo. No outro dia no 3º Encontro Nacional de Ilustração houve uma escritora que começou a sua comunicação a falar de futebol. Ela começou por dizer que grande parte dos rapazes gostam de jogar futebol, disse que para se jogar futebol temos que desenvolver algumas competência, saltar, correr, chutar a bola, defender, etc… mas se colocarmos as crianças treinar o salto, o correr, o chutar a bola, o defender, se elas só fizerem isso, vão-se maçar com o futebol, não vão crer jogar mais futebol. Assim acontece em muitas escolas, em muitas aulas, treina-se o salto, a corrida, etc… e fica para traz o estimulo. Faz-se testes para ver se a criança sabe medir, sabe traçar, sabe recortar, e tudo fica limitado a pouco mais do que isto.
Penso que é importante desenvolver o pensamento criativo, para isso não podemos ficar crer utilizar as mesmas metodologias da matemática ou das ciências. Não nos interessa saber se a criança sabe medir ou traçar apenas, interessa-nos ver se na sequência da execução de um projecto a criança soube cortar, mas dando mais relevo à concepção, ao processo criativo. O traçar ou o cortar foi consequência de uma vontade e um desejo de executar um processo. Pode-se até conseguir o recortar, o medir, o traçar através da utilização de uma máquina, um computador por exemplo.
António Lobo Antunes disse na apresentação do livro de Valter Hugo Mãe que ”as qualidades técnicas são apenas defeitos disfarçados”. Pouco importa as qualidades técnicas, importa é desenvolver o pensamento criativo.
Chris Fitch
Chris Fitch é um escultor Norte Americano que trabalha com esculturas em movimente (Arte Cinética). Spring parece uma lagarta. É notória a influencia de Jean Tinguely, Arthur Ganson e Theo Jansen. http://www.chrisfitchsculpture.com/
Personalidades em bicicleta

David Byrne

Francis Picabia na sua bicicleta com o seu cão Ninie em September 1940 - Fotografia da sua mulher Olga. imagem in http://www.tate.org.uk/

Dada Max Ernst - Inauguração da exposição na Galerie au Sans Pareil, Paris, 2 de Maio de 1921 imagem in http://geracao-rasca.blogspot.com/

Frank Sinatra imagem http://flakesofnuisance.tumblr.com/post/992807772/come-blow-your-horn-frank-sinatra-on-location

Eric Clapton imagem in http://curitibacyclechic.blogspot.com/2010/10/eric-clapton-musica-bicicleta-e-estilo.html
A minha obsessão por bicicletas
Continua aqui a minha obsessão por bicicletas, não pensem que vou vos poupar desta minha paranóia. Mais bicicletas virão.
Cães pela rua
Não sei se estão lembrados do casal de Boxers que encontrei na rua o ano passado e que entreguei no canil. Posteriormente veio uma associação de defesa dos animais e ficou com os cães. Os mesmos cães foram atropelados no domingo, andavam na rua em Aveiro. Além de terem ficado gravemente feridos fizeram prejuízos nos automóveis que circularam. Hoje fui ao canil acompanhar a situação e existe uma quantidade de pessoas interessadas no casal de cães, entre associações e outros. Existem muitos cães no canil mas pouca gente vai busca-los.
3º Encontro Nacional de Ilustração em São João da Madeira
A Junta de Freguesia de São João da Madeira está a desenvolver o Encontro Nacional de Ilustração. Este foi o 3º Encontro que foi proveitoso, talvez não tanto como nos anos anteriores visto que faltaram algumas cabeças de cartaz como por exemplo a Joana Quental e o Walter Hugo Mãe. No entanto fica aqui algum do registo do acontecimento.
Entre os participantes, Paulo Galindro deu-nos uma oficina que foi proveitosa.
“Pai, as casas altas chegam às nuvens?”, Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007
imagem retirada no blogue de Paulo Galindro http://pintarriscos.blogspot.com/
Ana Biscaia – surpreendente a sua ilustração, que gostei muito. Por apresentar uma composição especial e onde se pode observar as características dos materiais, é evidente o desenho que aparece como base da ilustração. Parece-me muito pedagógico a sua prática de ilustração, gostaria de mostrar aos alunos o trabalho desta ilustradora pois penso que as marcas do processo de representação é evidente e talvez com isso ajudasse os alunos a compreenderem que o desenho inicia com um processo de riscar.
Ilustração de Ana Biscaia
Marc – o Grande Comandante – Como sempre a apresentação que fez sobre Celacanto foi brilhante. Marc é editor da “Qual Albatroz?” . Na verdade parece mais um comandante de um navio, um velho lobo do mar. Mas deu-me uma lição sobre natureza que eu ainda não tinha tido. Valeu saber que da natureza vem um conhecimento fundamental para o desenvolvimento de tecnologia amiga da natureza e que dos animais extintos não podemos aprender muito. Por isso é fundamental defender as espécies em vias de extinção.
Ilustração de Marc “Para a Madalena” Julho 2010 Descrição: Acrílicos e flores prensadas sobre madeira Para quem: Para a Madalena pelo seu 8ºAniversário
Helena Zália – foi muito bonita a sua ilustração sobre uma história de sapatos, no entanto a ilustração não é feita com graxa de sapato.
Marta Madureira – Gosto imenso das ilustrações da Marta Madureira que já esteve na minha escola e com grande generosidade mostrou aos alunos como faz as suas ilustrações. Rodou pela biblioteca da escola originais de ilustrações que fez, poucos fazem isso. Além disso a Marta Madureira tem ilustrações que me espantam imenso.
“Maria e as Máquinas” de Marta Madureira
Outros ilustradores como Lígia Magro e Bernardo Carvalho encantam-me sempre pela sua originalidade.
Regresso ao wordpress
O blogue regressou ao wordpress, pretendo manter a mesma filosofia anterior à viagem pelo tumblr e blogspot. Mas mais preocupado com as fontes de informação.




































































