
Num dos livros de Murakami “Crónica de um pássaro de corda” a personagem principal refugias-se no fundo do poço durante uns dias, descreve todas as sensações que encontrou ai, depois há uma adolescente que o ajuda a sair do poço. Mas conheço quem nunca mais saio de lá, aos poucos foi incapaz de trepar e foi-se esmorecendo. Primeiro foi viver para um vale escarpado, com poucas possibilidades de sair, foram poucos os que o visitaram, era difícil o acesso. Não havia um sorriso honesto de amizade por parte dele, não havia uma gargalhada depois de uma boa anedota, não havia nada, apenas uma amargura constante e um queixume continuo. São muitos aqueles que iniciam assim, entre queixas, segredos e intrigas para depois irem viver para o fundo de um poço.
