El Tono

A sua marca na rua é muito discreta, quase invisível, pouco se vê. Mas ela está nos não lugares, naqueles que ficam à margem na cidade, onde os turistas não passam. El Tono regista, com linhas rigorosas e geometrizadas, num espaço urbano ambíguo. Levou para a rua a arte abstracta, retirou do local onde só alguns a apreciavam e deu-lhe mais dignidade, na rua para todos a verem, sem preconceitos sócio-culturais e em todo o mundo. http://www.eltono.com/

A minha cidade

A unidade “a minha cidade” propõe ao aluno a recriação de um espaço urbano imaginário. este é um pretexto para criar a necessidade de desenhar e construir figuras geometrizadas. Deve-se ainda recorrer a materiais reutilizados.

A concretização em maqueta de uma cidade imaginária utilizando materiais reutilizados tendo em consideração que:
A cidade é um aglomerado urbano com edifícios, pessoas, automóveis, etc.Há uma necessidade de criar condições de vida na cidade, com serviços, meios de comunicação, equipamento urbano, espaços verdes, etc
As cidades estão em processo de mutação e de evolução, a mesma cidade do passado sofreu transformações consideráveis em virtude de necessidades presentes (população, meios de transporte, habitabilidade, nº de serviços)

O que se deseja:
Que o aluno utilize os seus conhecimentos e perspectivas de cidade para inventar
Que conheça os trabalhos de artistas plásticos, designers, arquitectos, escritores de BD, etc
Desenhe e projecte ideias para uma cidade
Aplique conhecimentos de geometria, medição e noção de escala
Que utilize objectos reutilizados para a expressão e criação de elementos com valor estético
Estabeleça relações de trabalho em grupo

Imagens de cidades e seus arquitectos – algumas abordagens

Siza Vieira – Pavilhão de Portugal

Souto Moura – casa

 

Manfred Pernice

 

jakub nepras

 

 

Lisboa Pombalina

 

Brasília

 

Brasília Congresso Nacional

 

 

Cidade de Brasília – A Catedral de Brasília – Oscar Niemeyer.

 

 

Friedensreich Hunderwasser

Dogville – filme de Lars Von Trier

Serviço educativo de Serralves

 

1ª tarefa – investigação do conceito de cidade: procurar definir o conceito de cidade, investigar uma grande cidade (história, população, aspecto, arquitectura, fotografias –passado e presente), procurar a vista da cidade através do google maps ou via michelin, procurar imagens que relaciona com edifícios, cidades, casas.

2º tarefa – Recolha de materiais reutilizados, garrafas vazias de água, caixas de cartão, plástico de brinquedos partidos

3º tarefa – estabelecer uma escala de trabalho e desenho da cidade, traçado das ruas e definição dos espaços

4º tarefa – 10 esboços de edifícios por cada aluno

5º tarefa – criar um plano em cartão para trabalho, desenho dos arruamentos e execução dos edifícios

6º tarefa – montagem da exposição

Andreas Gursky

Não sei se ele tem um fascínio por uma abstracção da vida urbana ou se uma necessidade de mostrar uma frieza na vida quotidiana moderna urbana. Eu vejo neste fotógrafo Alemão (1955) um coleccionador de imagens geometrizadas, há um encanto, uma espécie de incapacidade de agir perante esta monumentalidade do objecto, fica perplexo perante o espectáculo que lhe é apresentado, por isso retrata-o, regista-o. Gursky transforma aquilo que é um lugar comum das cidades num monumento. “Na verdade, a minha compreensão do mundo reveste-se de uma natureza fenomenológica. Estou interessado no aspecto exterior do mundo, na sua superfície táctil, e guardo dele uma imagem muito precisa.” Andreas Gursky

 

Invasões Bárbaras

Este genial filme de Denys Arcand é sobre estas últimas invasões bárbaras, o filme ilustra a invasão dos pragmáticos nos territórios do poder, dos poderes, aqueles que fazem tudo para atingirem os seus objectivos, olhando muito bem os meios para o conseguirem. O filme conta a história de um intlectual canadiano com uma doença mortal e que é visitado pelo seu filho, um gestor de Wall Street e que verificando que o seu pai está num hospital público sem condições procede de forma a conseguir melhorar as condições do pai. As diferenças são grandes entre pai e filho e os confrontos são fantásticos.


Cruzeiro Seixas – cadavre-exquis

 

Cruzeiro Seixas faz um prefácio num livro de Eduardo Salavisa e Margarida G. de Matos sobre a “Linguagem Visual”. Este texto é precioso e quero-vos partilhar algumas partes.
“Somos talvez hoje prisioneiros de uma determinada forma de liberdade. O desenho por exemplo é uma prisão dourada, pois não é menos bela e significativa a mancha de cor, a que a linha foi desnesessária.”

“E da minha própria experiência poderei dizer que aquilo que vamos criando, é para ocultar a nós próprios aquilo que sabemos!”

“Todo o método me aflige: sou de facto anárquico ou de certa maneira nihilista, e se a minha experiência não é brilhante, não vejo olhando à minha volta, experiência que possa invejar.”

” … cansaram já (ou se danaram), os símbolos de simbolizar.”

” A verdade é que um “artista” está a fazer didáctica, mesmo quando nega.”

“Por certo há pessoas que não sabem desenhar, mas nunca as encontrei. O que tenho encontrado é uma segurança, uma mestria, uma sensibilidade, uma invenção de traço nas crianças, mas também nos adultos não aculturados ou mesmo iletrados. Nalgumas crianças, mas principalmente numa maioria de adultos, o que há é já um preconceito de “obra de arte”, que os torna impotentes perante a folha de papel.”

“Deveria ter começado por declarar que nada sei de didáctica. E que os meus pais também não. E não vejo que os professores que tive soubessem muito mais.”

“Quanto mais vejo à minha volta pessoas triunfantes e realizadas, mais forte é a minha tentação de ser apenas um falhado.”

Asterix – precisávamos de um pouco de poção mágica


Quando penso nos movimentos anti-globalização, pendo nessa aldeia gaulesa. Asterix, Obelix e Ideafix (o primeiro ecologista). Estas personagens que adoram um bom prato de javali e de dar umas turras nos Romanos fazem falta por aqui. Criadas por Albert Uderzo e por René Goscinny.
Asterix foi dos meus preferidos e continua a ser um dos favoritos dos meus alunos, como pode uma banda desenhada sobreviver a tantas gerações?

Fermento

Quando se vai ao Bairro Alto a Lisboa não se pode deixar de visitar a loja o Fermento. Quando entramos, enfrentamos o sorriso da Cuncas e uma mistura de cores, tecidos, formas, texturas, coisas e personagens. O Fermento é mais que uma loja é também a residência de seres estranhos e belos, e o local de trabalho da Cuncas, com máquinas de costura, tecidos e feltros por todo lado. O Fermento era uma padaria e transformou-se numa loja/atelier de artesanato. Quando forem ao bairro alto não se esqueçam de passar pelo Fermento (Rua do Século, 13 * 1200.433 Lisboa * Aberto de 3ª a 6ª feira das 13H30 às 20H00 e sábados das 11H00 às 20H00 info@fermento-shop.com * http://www.fermento-shop.com/ * tel. 210 165 566) http://fermentoshop.blogspot.com/

Francisco Providência – desenho, desejo e desígnio

Logotipo da Universidade do Minho – Design de Francisco Providência

Comentário a uma ideia de Francisco Providência – “desenho, desejo e desígnio”

O autor concentra-se em três entidades para a definição de Design: desenho; desejo e desígnio. Para Providência o Design é “manifestação do desenho, fruto do desejo que persegue um desígnio”[1] onde para cada entidade está subjacente uma dimensão, ou um domínio, do Designer: ao desejo a poética; ao desenho a técnica e ao desígnio o programa.
Clarificando melhor estes domínios, F. Providência escreve: “O desenho designa, formula, cria, representa o que ainda não é (…) a materialização de um desejo, a transformação de uma intenção numa intensidade”. Relaciona ainda estas três entidades em; o desejo – no autor, o desígnio – no programa e o desenho na técnica. Desta forma o Designer demarca-se do engenheiro que apenas executa o programa e do artista que satisfaz o desejo.
Do ponto de vista do Design de comunicação o autor designa que esta “cria pelo desenho artefactos de comunicação” em que “artefactos de comunicação são, instrumentos que promovem no(s) outro(s), a recepção de mensagens”.
Outro dos aspectos a salientar neste texto é a distinção entre o Design de Comunicação e publicidade. Ao publicitário há apenas um único ponto a concentrar que é o mercado, o designer procura uma dimensão mais humanista e filosófica, não limitada pela mesquinha atitude de mercador, onde o desejo é uma entidade importante no método criativo. Por isso o “desenho da publicidade é perspectivo”, procura-se que o publicitário seja hábil na perspectiva. O “design é prospectivo” ou seja procura observar de longe onde a “construção dos artefactos assume um valor de metáfora na interpretação do mundo”.
[1] In Anuário do Centro Português de Design 98 ano sete / 19-20 P. 134

Dexter – uma nova série no canal dois

 Esta série no canal dois é muito boa. Um homem que é polícia e ao mesmo tempo é serial killer. Pior ainda, mata quem a justiça não consegue prender – faz justiça pelas próprias mãos. Dexter gosta de sangue e sabe que é um ser frio e incapaz de amar. Ele é uma personagem fascinante e a série está muito bem feita porque consegue fazer-nos transportar para o pensamento do Dexter, a sua poética, os seus estados de alma, a sua inteligência e a sua moral. O grafismo, a música e os planos são do melhor.

Viktor Lowenfeld e Lambert Brittain – Desenvolvimento da Capacidade Criadora

 

Qualquer professor deveria ler este livro. L. e B. apresentam aqui os motivos e importância da expressão artística para o desenvolvimento das capacidades intelectuais das crianças e jovens.
Na verdade o currículo é uma chatice e as crianças perdem a sua criatividade com a quantidade de coisas que têm que aprender (decorar) e que não lhes serve para nada e pior ainda, não aplicam os conhecimentos no concreto das suas necessidades, o exercício intelectual.
Numa das primeiras partes do livro L. e B. falam-nos do significado da arte para as crianças. Eles consideram que “A criança é um ser dinâmico; para ela, arte é uma comunicação de pensamento. Vê o mundo de forma diferente daquela como o representa e, enquanto desenvolve, sua expressão muda.” por isso a interferência do adulto na expressão artística da criança deverá ser reflectida. “O entusiasmo de alguns professores, pela a maneira intuitiva como as crianças pintam, leva-os a impor-lhes seus próprios esquemas de cores, de proporções e da maneira de pintar. Desta discrepância entre o gosto adulto e o modo como a criança se expressa surge a maioria das dificuldades que impedem as crianças de usar a arte como verdadeiro meio de auto expressão.” L. e B. dão ênfase ao processo “O importante é o processo da criança – o seu pensamento, os seus sentimentos, as suas percepções, em suma, as suas reacções ao seu ambiente.” Õ professor tem o papel de criar situações estimulantes para um desenvolvimento criativo, tendo em conta que “Cada criança revela seus interesses, sua capacidade, seus recursos e seu envolvimento na arte, embora isso, em alguns casos, tenha poucas relações com a “beleza”.”

L e B analisam os vários estádios de desenvolvimento criativo, foco-me naquele que é a das crianças da idade do 2º ciclo – “O alvorecer do realismo: a idade da “turma””. Onde uma série de características do traço são comuns e persistentes nesta idade e seus significados – “O significado da Cor” “O significado do espaço” “O significado do traçado”. Apresentam também variadas temáticas a trabalhar com as crianças desta idade para estimular a expressão artística. Consideram eles que é importante encorajar o trabalho de grupo e a cooperação entre os alunos.
L. e B. consideram a arte fundamental no desenvolvimento das crianças, dado que esta é uma forma da criança ter consciência de si própria e que ” A educação artística pode proporcionar a oportunidade de aumentar a capacidade de acção, de experiência, de redefinição e a estabilidade que é necessária numa sociedade cheia de mudanças, de tensões e incertezas.”
Nesta perspectiva considero que é importante a vivência artística das crianças, fazendo acontecer situações que colocam a criança a expressar-se e a manipular materiais artísticos variados. No entanto acho pouco importante uma exigência técnica na manipulação de materiais e de acordo com as metodologias propostas por L. e B. permitir o diálogo sobre os processos e sentimentos.

Mike Kelley

“Os Artistas são pessoas a quem a sociedade concede o privilégio de agir de uma maneira que não é a que se espera por parte dos adultos.” Mike Kelley.

Não conhecia Mike Kelley, numa dos meus passeios pelos blogs encontrei este texto no http://www.paulomendes.org/ que falava de Kelly: “MIKE KELLEY é um dos fundamentais artistas contemporâneos americanos a pensar sobre a cultura popular, a sua iconografia e os seus rituais. O seu trabalho dispersa-se por várias disciplinas como a música e a performance, o desenho e a pintura ou a instalação. Colabora regularmente com outros criadores da área de Los Angeles onde reside como Paul McCarthy, Tony Oursler, Jim Shaw ou John Miller.”

Kelley vê os animais de peluche como o primeiro abuso dos adultos às crianças pois são “modelos idealizados e assexuados destinados a fazer entrar a criança no molde das normas familiares e sociais”. Por isso apresenta esses animais mutados, cortados e transformados, dando-nos uma imagem violenta e expressiva desse abuso.