A Educação do Príncipe

Fui ver esta magnífica exposição na Fundação Calouste Gulbenkian. O que mais me fascinou foi a forma de representação figurativa que encontrei, a riqueza dos pormenores, a beleza dos estampados (roupas, tecidos), os motivos vegetais, astúcia quase milimétrica da representação (barbas, cabelos, bigodes), as surpresa das cores (cores que nunca tinha visto antes), a precisão na representação linear (dobras, tecidos).

Baudelaire – “Flores do Mal”

Baudelaire é um poeta françês percursor do Simbolismo. As suas ideias sobre arte inflenciaram o modernismo europeu.

“… Nous voulons, tant ce feu nous brûle le cerveau,
Plonger au fond du gouffre, Enfer ou Ciel, qu’ importe?
Au fond de l’ Inconnu pour trover du nouveau!”

Este poema transporta-nos para um cenário de Inferno, Céu, fogo e abismo. Palavras que não nos deixam indiferentes, pelos seus significados. O autor não nos quer aliviar a emoção. As palavras tem uma força, valem por si, pela sua intensidade dramática. Através de uma acumulação de símbolos, o autor conduz-nos para a emoção. Que fogo será este a que se refere? Será o fogo do carvão arder num motor da revolução industrial; do sol, astro celestial do desejo romantico; da “Razão Triunfante” de Augusto Comte com o Positivismo; será que a concepção científica e materialista das coisas, esquecendo o sonho e a espiritualidade “… nous brûle le cerveau”; a chama de uma moral burguesa convergente, que deverá ser quebrada, transgredida e chocada? Encontramos também aqui uma necessidade de invasão, um desejo pelo desconhecido, fugir do fogo, a necessidade de viajar, uma viagem mental, uma viagem artificial utilizando o ópio ou o vinho. Anseia por uma liberdade e por entrar no paraíso. Aspira evadir-se do real, sonhando por uma segunda realidade, mas esta residente na arte. A referência ao abismo, Inferno e ao Céu, elementos bíblicos muito característicos de uma estética do simbolismo. O Inferno e o abismo, que encontramos sistemáticamente na obra do autor, ou não fosse ele poeta maldito. “…pour trover du nouveau!” A necessidade de encontrar um novo, talvez um novo ideal de beleza, onde a Arte tem o seu papel de nos fazer transportar para esse belo, para essa espiritualidade. O poema evoca uma musicalidade, provocada pelo seu ritmo, pela sua rima, expressando e realçando todo o conteúdo. Com a sonoridade das palavras o autor transporta-nos para o mundo das sensações, característica de uma estética Simbolista. Podemos dizer que estes sinais que Baudelaire apresenta no poema , são produto de um ambiente cultural de final de século, onde o pessimismo dos Decadentes se combina com valores estéticos do Simbolismo.

Xadrez

Pretende-se a construção de um jogo de xadrez gigante em cartão para o hall de entrada da escola.
Duvido às características do cartão e aos escassos recursos técnicos há necessidade pensar o jogo com formas estilizadas e geometrizadas para ser possível a sua construção.

1. Investigação sobre a história do xadrez, sua simbologia e iconografia.

2. Criação de ideias de peças fazendo esboços e pequenas maquetas.

3. Escolha de uma das propostas

4. Desenho da peças e execução da maqueta em cartolina

5. Experimentação do cartão, execução de uma estrutura tendo em conta a resistência das peças

6. Organização da turma, inventário dos procedimentos de trabalho, materiais e instrumentos, distribuição do espaço de trabalho, distribuição de responsabilidades – um responsável pela produção, um responsável por cada fase de trabalho.

7. Execução do xadrez

8. Avaliação da unidade, colocação do jogo e torneio entre alunos



















Pedro Campos – Casa Não Casa




“A Casa não Casa esconde-se atrás de espelhos. Espelhos em forma de bico. Reflectem nem sempre aquilo que se vê. Perlonga, mimetiza, camufla, copia, esconde, mas deforma. Não se consegue fixar uma imagem num espelho, mas ainda assim olhamo-nos ao espelho para nos vermos. Para ver como estamos. Essa imagem que temos de nós não se fixa, não é provavelmente real, mas reflecte-se e é essa a imagem que acompanha a nossa identidade.” Pedro Campos.
Os projectos de Pedro Campos tem um cariz muito experimental, com isso ele consegue percorrer as novas necessidades, consegue introduzir outras poéticas, tecnologias emergentes e uma nova geometria. No entanto assume a identidade cultural “As casas pátio são um paradigma da arquitectura mediterrânica”. Aproxima: a utopia à realidade, o sonho ao concreto, a arte ao cidadão. É assim com este projecto da Casa Não Casa que foi pensada no âmbito do Experimenta Design.
Pedro Campos nasceu em Lisboa depois de 68 (não sei quando, mas sei que é um pouco mais novo do que eu) e vive em Lisboa onde tem o seu atelier.
http://www.camposcosta.com/