A torre de Babel

 Gustave Doré

 Pieter Brueghel
 Escher
“Naquele tempo todos os povos falavam uma língua só, todos usavam as mesmas palavras.” Gênesis 11:1
“Agora vamos construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro” Gênesis 11:4
“Essa gente é um povo só, e todos falam uma só língua. Isso que eles estão fazendo é apenas o começo. Logo serão capazes de fazer o que quiserem.” Gênesis 11:6
“Assim, o senhor os espalhou pelo mundo inteiro, e eles pararam de construir a cidade. Gênesis 11:8
“a cidade recebeu o nome de Babel, pois ali o SENHOR atrapalhou a língua falada por todos os moradores da terra e dali os espalhou pelo mundo inteiro.” Gênesis 11:9

 

Tanto Mar

Tanto mar
Chico Buarque

1975
(primeira versão)

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

1978
(segunda versão)

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

A capa

Pretende-se com esta unidade permitir que os alunos, partindo de um programa definido, criem uma capa para trabalhos em A4/A3 tendo em atenção os seguintes itens:
Objecto para; arquivar os trabalhos, guardar os trabalhos e arrumar na arrecadação
Ser um objecto com uma mais valia estética e que se enquadre nos valores e ideias de beleza dos alunos
Que tenha uma durabilidade
Economia de recursos e materiais
O que se deseja:
Que o aluno, perante os constrangimentos, crie um objecto que sirva para guardar/arquivar trabalhos e arrumar na arrecadação
O aluno valorize os aspectos estéticos e lúdicos de um equipamento
O aluno argumente um projecto
O aluno aplique e utilize o desenho para expressão de ideias

1. Invenção de capas (trabalho individual)
Execução de esboços ou pequenas maquetas em papel de máquina branco

2. Escolha de um porta voz e coordenador de grupo
Coordenar o trabalho de grupo
Distribuir tarefas no grupo
Apresentar o trabalho do grupo

3. Análise e discussão das capas e ideias realizadas individualmente
Ver as mais valias
Ver as menos valias

3 Escolha de uma capa ou ideias
tendo em conta os itens definidos: função principal, estética, durabilidade e economia de recursos

4. Execução de um projecto final
Conjunto de esboços e desenhos explicativos
Planificação
Maqueta
Memória descritiva

5. Comunicação à turma
Demonstração da capa (conjunto de esboços e desenhos explicativos, planificação, maqueta)
Argumentação (Memória descritiva)

6. Escolha de uma capa (por consenso ou votação)

7. Desenho, corte, colagem da capa. (ver capas)














Gianni Rodari – A Gramática da Fantasia

João Caetano, num worshop que fizemos em Espinho, aconselhou a leitura deste livro “A Gramática da Fantasia”. Hoje recebi-o pela http://www.webbom.pt/ (bom serviço sem necessitarmos de cartão de crédito). O livro, vou-o colocar na prateleira dos livros urgentes para ler. “Há sempre a criança que pergunta: – Como se faz para inventar histórias. Merece uma resposta honesta. Aqui fala-se de alguns modos de inventar histórias para crianças e de ajudar as crianças a inventarem sozinhas as suas histórias. Espero que este livro possa ser útil a quem acredita na necessidade de a imaginação ter o seu lugar na educação; a quem tem confiança na criatividade infantil; a quem sabe o valor de libertação que pode ter a palavra.” Gianni Rodari. Eu espero encontrar aqui, neste livro, a fórmula secreta. Talvez não. Talvez a fórmula secreta esteja mais longe (e mais perto), esteja em muitos livros que lemos, em tudo o que vemos, em tudo o que sentimos, em ver o mundo sempre como Alberto Caeiro”E o que vejo a cada momento. É aquilo que nunca antes eu tinha visto,” Fernando Pessoa.

Duas séries na dois


Duas séries na dois, à segunda-feira, que eu recomendo. Numa a história de uma mulher que ficou viúva e que vive num bairro limpo de classe média e resolve, para manter o seu nível de vida, vender erva – mostra as contradições de uma América (ocidente) em falência. A outra é história de um escritor em [des]graça que vive na Califórnia.

Câmara Clara

Ontem o tema da Câmara Clara foi a música e a revolução. Com Pedro Burmester e José Barata-Moura o diálogo foi muito frutuoso (ver programa). José Barata-Moura considera que toda a música é politizada por que é fruto de um relação do eu com o mundo. Convoco aqui o livro que estou a ler de Maurice Barrett (educação em arte) que estabelece exactamente este como um dos pontos de partida “O aluno necessita descobrir-se a si próprio, mas também precisa de descobrir como é que os principais interesses, obsessões, necessidades e capacidades se relacionam com os outros e com a sociedade de uma maneira geral. Esta compreensão terá de vir através da experiência, e uma das funções principais da educação artística é de fornecer oportunidade para o aluno conseguir.”

Picasso


 “Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem” esta frase de Picasso é muitas vezes preferida por oradores que falam da necessidade de tornar uma escola mais criativa – onde se dá um papel fundamental às artes – Ao invés de uma escola de modelo industrializada, onde o aluno só vem receber, não vai dar. Picasso deu-nos muito, deu-nos o rosa, o azul, o sintético e o analítico e deu-nos esta frase, um grande sentido de humor, uma enorme criatividade e uma vida (a dele) preenchida e descobriu várias novas belezas.



Anaïs Nim “A casa do incesto”

 Nin, Anaïs (1903-1977) – Romancista e diarista norte-americana, nascida em França.

A casa do incesto

“A noite envolvia-me como uma fotografia descolada da moldura. O forro de um casaco aberto como duas conchas de uma ostra. O dia descolado da noite, comigo a cair entre eles sem saber em que lado me encontrava, se era à mais alta folha cinzenta fria do amanhecer ou à folha escura da noite. ”

“O rosto de Sabina estava suspenso na escuridão do jardim. Dos olhos um vento quente desértico secava as folhas e voltava a terra do avesso.
Conversa – meias palavras, frases que não precisavam de ser completas, abstracções (…). As meias palavras, cerradas, encobertas das mulheres de carne macia.”
“A máscara luminosa do seu rosto, como feito de cera, imóvel, olhos sentinelas. Ela, observando o meu passo de sibarita, eu, atenta à sibilação da sua língua. Os nossos olhos prostitutos postos fundo uma a outra. ”

“Sou marioneta movida por dedos inexperientes, desmantelada, deslocada sem harmonia; um braço inerte, outro remexendo-se a meia altura. Rio-me, não quando o riso se adapta ao meu discurso, mas porque ele se implica nas correntes subjacentes do que eu digo.”

Arno Stern – O atelier / A oficina

Queria-vos apresentar algo sobre a metodologia de trabalho do Arno Stern. Arno Stern tinha um atelier / oficina: no centro da sala a “mesa-paleta” rectângular estreita (2 metros X 20 cm X 60 cm – estreita para ser trabalhada nos dois lados) com uma fila de buracos para os copos (10 a 18) com tinta; um a dois pincéis por cor; sem janelas (para evitar iluminação lateral); sem assentos (uma outra sala próxima tem uma mesa e bancos); paredes de isorel macio forrado a papel expeço. A ideia é pendurar as folhas de papel na parede e as crianças pintam com as folhas colocadas na parede. No livro “Aspectos e Técnicas da Pintura de Crianças” Arno Stern explica melhor todo o processo de organização da sala, assim como os materiais, instrumentos a utilizar. Sobre os princípios utilizados – o livro “A expressão”, quase como um manifesto da educação artística. “… eu que vivo neste lugar inacessível e que conheço a aventura. Diria que este é um pais longínquo; diria que é uma ilha, ou um oásis, preservado como um astro de uma outra galáxia.” “… é de uma aventura que quero falar. É preciso ser-se poeta para representar em palavras figuradas ou estudos de alma, os matizes modulados duma maneira de ser, os factos importantes pela intensidade do vivido.” “Eu não sou um homem de ciência nem um poeta. Mas, assim que se fecha a sobre as crianças a porta do atelier, tenho o privilégio de me incluir no seu grupo. Sou uma testemunha: assisto, sem me cansar, às suas convulsões criadoras.” “Estou misturado ao acto criador, ao uníssono da criação.” “O atelier não é como o mundo exterior. O seu espaço é um continente, o último invólucro do ser que se exprime.”