Delacroix – La liberté guidant le peuple

Este quadro é motivo de análise cuidada, pois representou um choque e uma transformação nos conceitos artísticos da época e por outro lado foi elemento de critica política. A ideia primeira é que é um quadro a exaltar o espírito revolucionário e enobrecer a ideia da revolução do povo movido por ideais liberais. Mas o quadro foi recusado pelo poder instituído após 1830, pois algumas coisas incomodavam. Primeiro era o ícone da liberdade, a mulher de chapéu vermelho representado várias vezes como ícone de uma ideia de nação, liberdade. Só que aqui essa mulher, está suja, queimada pelo o sol, um pouco nua, carrega uma arma, todos estes aspectos não davam a dignidade que o poder instituído queria a essa mulher. Depois aparecia acompanhada por bêbados, assassinos, ladrões, crianças, etc. que era uma ideia que não agradava, o Poder queria mostrar alguns burgueses ali misturados e que a gente do povo fosse gente séria, não ladrões e assassinos. Os mortos dão um carácter de violência da revolução, alguns estão nus, porque lhes roubaram as roupas, as armas, os sacos – vê-se algumas das personagens vivas a transportar esses objectos – é pouco digno essa ideia de despojar mortos dos seus bens. Todo a cena é encenada, como uma peça de teatro, uma ópera bem do novo espírito romântico da época, onde a arte tem um papel de intervenção política e social. Este quadro foi reproduzido várias vezes na história da França, foi ícone necessário, quase genético. (análise feita na sequência da série “A vida íntima de uma obra-prima”)

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3 thoughts on “Delacroix – La liberté guidant le peuple

  1. Este programa/documentário é dos poucos programas que vejo na televisão pública (rtp2) e que dá um destaque à arte, embora a horas nem sempre próprias. O horário nobre é dedicado a tudo menos para educar!
    Ontem, foi um episódio em torno do quadro “ON THE ISLAND OF LA GRANDE JETTE” de Seurat. É sempre muito interessante. E para quem quiser ver “A LIBERDADE GUIANDO O POVO” repete no Sábado, 26 de Julho às 13:15.
    isacosta

  2. Eu também ando a seguir este programa, pois dá-nos uma visão mais abrangente destas obras. Afinal aquilo que faz um artista conteporâneo faz,na sua essência, é muito próximo dos outros artistas.

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