Museu da Chapelaria

O Museu da Chapelaria em São João da Madeira é um espaço muito agradável. Os processos de fabrico dos feltro, assim como a moldagem e acabamentos é demonstrado. Foi-me dito que existe actualmente uma fábrica em São João da Madeira que fabrica os filtros para todo o mundo, para as melhores marcas de chapéus do mundo. Disseram-me que os chapéus de Clint Eastwood foram fabricados em São João da Madeira, os do Bush também, mas eu não acredito muito, se viesse de São João da Madeira alguma coisa mudava naquela cabeça.

 

 

A Louca da Casa

” Escrever romances implica atrevermo-nos a contemplar este trajecto monumental que nos arranca de nós próprios e nos permite ver-nos no convento, no mundo, no todo. E depois fazer esse esforço supremo de compreensão, depois de roçar por um instante a visão que completa e que fulmina, regressamos a coxear à nossa cela, à prisão da nossa estreita individualidade, e tentamos resignar-nos a morrer.”

Rosa Montero – “A louca da casa”

Pablo Neruda

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Ode ao Gato

 

Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa
só como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite .

Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gato, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.

Estrelas de natal 2


estrela

A primeira estrela de natal está esboçada. Alguns colegas disseram que era quase impossível os alunos desta idade, 11 anos, fizessem estas estrelas. Continuam a tratar as crianças como incapazes, é esta pseudo-pedagogia que dá cabo de nós. Vamos enfrentar os desafios para que o ensino seja uma coisa estimulante. ESTE FADO É QUE NÃO QUERO.

Raoul Hausmann

Raoul Hausmann (1886-1971). Fotógrafo. Foi considerado um dos criadores da fotomontagem. Foi um dos vultos importantes do movimento Dada. Sente-se uma certa sátira nos seus trabalhos, produto dessa afirmação niilista dos dadaistas, assim como apologia da máquina também vincada na obra de Duchamp. Hausmann foi dos artistas plásticos que teve as suas obras expostas na exposição “entarte Kunst” (arte degenerada) promovida pelo Nazismo de forma a mostrar a “decadência” da arte moderna, baseada em formas menos “puras” e elementos culturais de “raças inferiores”.