Mary Margaret O’Hara

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Artigo de Guta Moura Guedes

A Importância [vital] da cultura em tempos de crise. No Publico de Sábado passado.
“A cultura é a base, talvez a única base, de entendimento possível entre pessoas e entre diferentes países e entre extractos sociais. O seu impacto é transversal e imensamente democrático.
guta
Guta considera que esta crise não é financeira, ou antes a parte financeira é só a ponta do iceberg. “Este iceberg não emergiu do nada” diz ela (eu até diria que este iceberg surgiu do NADA). A verdade é que as prateleiras estão cada vez mais vazias. Vivemos uma época onde falta muito, vivemos uma ascensão tecnológica ausente de conteúdos. No entanto para sermos competitivos e inovadores temos que levar o nosso trabalho à excelência, para isso é necessário apostar na educação artística, nas industrias criativas, nos recursos humanos, etc. Porque “a cultura é a alavanca do desenvolvimento sustentável de um país” (e eu acredito profundamente nisso). É verdade que a escola nunca foi um centro de cultura, foi sempre um local onde se treina os operários para as suas funções mais pragmáticas e agora com a vertente de reservatório enquanto os pais trabalham o máximo de horas possível para podermos competir com a Índia e a China. Mas eu ainda tenho essa utopia de pensarem um dia a escola como centro cultural onde não existe disciplinas mas grupos de projectos com vertentes culturais e assentes nessa proposta da Guta. “Enquanto os bens culturais não forem acedidos por todas as pessoas, enquanto nas escolas e universidades não existirem disciplinas de forte vertente cultural e artística, enquanto a descentralização cultural não for um facto e enquanto as prioridades não se centrarem nos conteúdos e nos recursos humanos, deixando para segundo lugar as construções mais visíveis, estaremos longe de fazer o necessário nesta área.”

O Último Leitor

icamO último livro de Rosa Montero intitula-se “Instruções para salvar o mundo”, redundante este titulo, porque todos nós sabemos que qualquer livro que vale a pena ler são sempre “Instruções para salvar o mundo” . David Toscana também tem essa percepção que os livros salvam os leitores das coisas piores que podem acontecer, então no seu “O Último Leitor” aparece uma personagem de um bibliotecário resistente, sem leitores e que sabe perfeitamente que a literatura é a realidade – se não for assim então esse livro (sem realidade, ou sem ficção que é o mesmo) deve ser enviado para o quarto das baratas para estas devorarem todas as letras que não deviam ser escritas. Atenção que os critérios para enviar o livro para o quarto das baratas são muitos, uns porque tudo o que está escrito cheira a falso, porque parece tirado de um filme de gringos (Toscana é mexicano), porque escreve com pormenores que só chateiam, porque simplesmente tudo é demasiado “cor de rosa” ou porque está cheio de frases e palavras feitas como a que eu disse anteriormente. Ler este livro de Toscana ajuda a termos capacidade de seleccionar os livros, direi mesmo que como leitor existe um tempo antes de Toscana em que eu lia tudo o que me aparecia à frente e o depois de Toscana do qual vou enviando um ou outro livro para o quarto das baratas. Agora em qualquer livraria ou biblioteca se virem alguém atirar um livro para o chão, sou eu a fazer censura.
O bibliotecário vai aconselhar o filho a comportar-se perante um crime, tentar descobrir um crime e vai amar e fazer renascer sua mulher de pele macia tudo isso ele encontra nas páginas dos seus livros, dos bons porque os outros estão a ser devorados pelas baratas. Tudo isso num meio de um deserto, onde ninguém lê um livro, numa seca tremenda e onde há muito o governo mandou encerrar a biblioteca que se mantém aberta apenas por teimosia deste “último leitor”. Na verdade o mundo é Icamole (o deserto onde se passa esta aventura) e os livros já nem se lêem, apenas compram-se e todos os governantes, nesta época em que vivemos, tem o desejo secreto de fechar as bibliotecas.

Carta ao Escritor

Escritor amigo

O teu livro chegou a este lugar longe, onde vivo, a este deserto, as tuas palavras, em viagem, aguentaram ventos fortes, chuva abundante, intempéries.
Aqui, elas deixaram uma ronco no meu ouvido, deixaram um incomodo e um conforto.
Revelaste-me uma verdade nessa tua simples história, a verdade necessária para me salvar desta fome, desta sede.
Por aqui, secretamente, os políticos e os funcionários fecham bibliotecas, enchem de livros vazios as livrarias, entretêm as pessoas com outras coisas para elas não sentirem a fome e não procurarem esse alimento.
Sei que também tu tiveste que subir a uma montanha alta gelada para não te impedirem de escrever, porque são grandes as desvontades.
Tiveste que te pôr nu dentro de ti, porque só assim pude fazer dessa tua narrativa a minha realidade.
Agradeço-te desde já esse esforço, tentarei fazer por ti alguma coisa, porque estou eternamente agradecido pelo o que me deste, e não foi só um livro, foi uma vontade em sobreviver, uma fórmula secreta de me salvar, uma antídoto para um certo veneno que anda no ar.
Ainda mais te agradeço pelo momento que me deste de prazer pois as tuas palavras fizeram eco dentro de mim, e ao lê-las estremeci.

Assinado
O Leitor

Sair da Toca – Promoção do exercício social da aprendizagem dos direitos humanos

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Co-autoria do meu colega Raul Carvalho

Jogo da Glória mas pretende ser um reflexão sobre os direitos humanos.

A ideia que só os animais vivem na toca, limitados, protegidos, ameaçados, vivem em lugar escuro, limitado, como no “covil” de Kafka. O sair da toca é caminhar para a humanidade, ir para lugar aberto e arejado onde o contacto com os outros é fundamental para a nossa sobrevivência, espaço de aprendizagem, de multiculturalidade, ausente de preconceitos racistas e xenófobos. O formato de uma espiral aberta acompanha esta ideia, de movimento de um interior fechado para um exterior aberto.

                  As casas vermelhas, são as de retrocesso. Esta cor tem uma simbologia directa e fácil, assim como as verdes que são de avanço e descrevem uma altitude positiva. Existem ainda as casas preto e branco de dilema.

 

                  Após ter-se jogado na aula o jogo, foi posteriormente feito um mini jogo com todos os elementos do jogo grande.

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História do Design Arts a Crafts

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2ª Metade do século XVIII
• A crescente industrialização na Grã-Bretanha e posteriormente no resto da Europa colocou os artigos de uso diante de exigências novas: processo mecânico de fabricação; venda dos produtos; uma melhoria dos meios de comunicação possibilitou um maior mercado; etc.

2ª Metade do século XIX
• Irmãos Thonet deram início à produção de cadeiras com madeira arqueada, que foram apresentadas em 1851 na Exposição Mundial de Londres onde se destacam as cadeiras de café Nº14.
• Em 1898 foi fundada as Oficinas de Dresden de Arte Artesanal pelo carpinteiro Karl Schmidt, que mais tarde trabalham com artistas de renome do movimento Jugendstil.
Movimento das Artes e dos Ofícios (Arts and Crafts)
• Movimento inglês fundado por William Morris, na segunda metade do século XIX
• A preocupação dos mentores deste movimento é o facto de os produtores da “era da máquina” serem movidos pela quantidade e não pela qualidade
• O designer mais influente foi William Morris (1837 – 1896)
• Morris formou a companhia Morris & Co que produzia uma grande variedade de produtos, tais como mobílias, vitrais, papel de parede, tecidos e cerâmica
• Pretendia-se combinar a habilidade do artífice com a dos artistas
• O movimento caracterizava-se por referências medievais e góticas
• Pretendia-se que a mão do homem fosse visível na obra, diferenciando-a do feito à máquina.
• Morris acreditava que um bom design representava uma elevação e que contribuiria para uma sociedade mais feliz
• Este movimento começou na Grã-Bretanha mas foi seguida no resto da Europa e E.U.A.
• Americanos como Gustav Stickley
• O movimento foi inicialmente apoiado por figuras como o arquitecto A. W. Pugin e o crítico John Ruskin, e sublinhava a importância do trabalho manual, insurgindo-se contra a produção em série, possibilitada pela crescente industrialização
• Seguiu-se-lhe o estilo Arte Nova

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Tribal Wars

vistatwHoje vou-vos falar de um jogo que muitos dos nossos alunos andam a jogar. É um jogo de estratégia militar, onde as competências sociais, de liderança, a capacidade de gestão de recursos e orientação espacial são postas em prática. Um jogo que tenho jogado e construindo um conjunto de aldeias de nomes de gente criativa que combate contra a barbárie, um pouco como Gonçalo M. Tavares disse à cerca do “O Bairro”.

http://www.tribalwars.com.br/

http://www.tribalwars.com.pt/

Mercedes Sosa – Gracias a La Vida (Violeta Parra)

 

Gracias a la vida
Mercedes Sosa
Composição: Violeta Parra

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto

Gracias a la vida, gracias a la vida