A Bomba

Esta foi uma das peças que fiz para o workshop de escrita para teatro no Efémero.
bar

Cenário – 6 mesas de café com as respectivas 4 cadeiras, um balcão com três cadeiras, uma banca com máquina de café, loiça e bebidas, uma porta.

[os sons são todos ampliados, quando se abrir a porta da rua haverá o som da porta a ranger e dos carros no exterior a trabalharem e apitarem, assim como pessoas a falarem como se fosse uma grande cidade no exterior. Sempre que as pessoas se sentarem, ouve-se barulho das cadeiras arrastarem e sempre que se deslocarem ouve-se os passos. Os barulhos são todos ampliados, tais como: a máquina do café, do jornal, dos talheres das capas, do interruptor, da chave a cair, etc. As personagens quando falam umas com as outras o público não percebe, apenas houve sons]

O palco está escuro, ouve-se uns passos, ligam-se luzes simultaneamente com um barulho do interruptor. No palco está um homem vestido como empregado de mesa de um café, na verdade é o dono do café. Dirige-se para a porta [som], deixa cair a chave [som], apanha do chão a chave, abre com a chave a porta [som], dirige-se para dentro do balcão, liga a máquina do café [som], liga o rádio que está com música, entra o primeiro cliente [som], o cliente dirige-se ao balcão [som] onde cumprimenta o dono do café com algo imperceptível, senta–se numa cadeira do balcão e abre as páginas de um jornal [som], o dono do balcão serve-lhe um café [som].

Entram três clientes a conversar, não se percebe o que dizem, são três homens engravatados, talvez vendedores ou caixas de banco. Sentam-se numa mesa [som]. O dono do café dirige-se ao três homens que se encontram alegremente a conversar e não prestam atenção. O dono do café tosse para chamar atenção da sua presença. Os homens viram-se para o dono do café e dizem qualquer coisa imperceptível. Entretanto entra uma avó com três netos – um bebé, outra de três anos e outro quatro anos [as crianças fazem barulho a brincar], avó dirige-se para uma mesa [som ampliado dos sapatos altos, do ranger da cadeira de rodas, de uma das crianças a choramingar], o dono do café dirige-se à avó com as netas que fazem um pedido imperceptível.
Quando o dono do café se dirige para o balcão e começa a tratar dos pedidos [som ampliado dos talheres a baterem uns dos outros, máquina de café, torradeira].

Entram 4 homens das obras, falam russo, sentam-se numa mesa, conversam animadamente. Ao mesmo tempo entra um jovem leitor que se senta timidamente na ultima mesa a ler o seu livro.

Entretanto o bebé começa a chorar, as crianças brincam fazendo muito barulho, o homem que lê o jornal faz barulho a folhear o jornal, os grupos de homens conversam animadamente. Do rádio ouve-se música.

Entra um cego [som ampliado da bengala a bater no chão e nas cadeiras], o cego tropeça numa mesa [som ampliado do arrastar da mesa] e senta-se numa mesa vaga com ajuda de um dos trabalhadores. Entretanto o dono do café ouve os pedidos dos recém-chegados e vai para dentro do balcão para satisfazer os pedidos [som ampliado de copos, pratos, máquina de café, etc]. O ambiente é de familiarização entre as personagens. A ida ao café faz parte da rotina de todos.

Quando o dono do café transporta num tabuleiro quatro copos de cerveja para os trabalhadores da construção civil entram 3 rapazes e 3 raparigas estudantes universitários [som ampliado dos risos dos jovens]. Um dos casais de universitários entram a correr, o rapaz atrás da rapariga e chocam com o dono do café que deixa cair as cervejas e os copos [som ampliado dos copos a quebrarem-se no chão]. O casal ajuda apanhar os cacos. Os universitários sentam-se numa mesa, arrastam umas cadeiras da mesa do estudante [som ampliado].

Todos os barulhos continuam e entra uma rapariga toda produzida com mini saia e saltos altos [som ampliado dos saltos altos a baterem no chão]. A rapariga hesita no local onde se vai sentar, pois as mesas estão todas ocupadas. A rapariga dirige-se ao rapaz leitor e faz um gesto como se tivesse a perguntar se podia sentar-se na cadeira que resta da mesa, o rapaz faz sim com a cabeça. A rapariga senta-se cruzando as pernas, houve-se o barulho do coração do jovem leitor a bater [som ampliado], a rapariga tira uma lima de unhas da mala e começa a limar as unhas [som ampliado].

Entretanto o dono do café continua a ouvir os pedidos imprescritíveis ao publico, deslocando-se para dentro do balcão para os satisfazer [sons], os sons das pessoas a falarem fazem-se ouvir, os trabalhadores agora estão a discutir alto. Os jovens estudantes riem alto, um dos casais estudantes beijam-se. Uma das crianças brinca arrastando uma das cadeiras [som], e o bebé continua a chorar.

Entretanto começa ouvir-se um baixinho tic-tac, que vai aumentando de volume. O dono do café, interrompendo as suas tarefas, desloca-se de um lado para outro procurando esse som estranho. O som do tic-tac aumenta e aos poucos os personagens vão parando com os seus sons e procurando saber de onde vem o som. O som do tic-tac sobrepõe-se a qualquer som aumentando a níveis muito alto.

Quando para o tic tac, os holofotes do fundo do palco incidem nos espectadores, encandeando-os. Nesse preciso momento as personagens congelam. Após 30 segundos na situação, todas as luzes apagam-se e impõem-se um silêncio e escuridão absolutos.

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