O comentário

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Fiz este blog sem pretensão nenhuma, fiz essencialmente porque quando recomecei a minha actividade docente à 3 anos atrás senti-me extremamente sozinho na escola. Vinha do CAE de Aveiro e senti uma espécie de exclusão (numa altura em que a guerra entre os professores e o ME estava muito quente) – Fui aquele que fiquei no meio do tiroteio. Hoje continuo com a mesma sensação, nas escolas estamos sós. No entanto aqui posso sempre falar (escrever) um pouco mais. Sinto que este tipo de conversas não se podem ter nas escolas onde passo. Aqui tenho recebido comentários bons, pessoas que gostam do diálogo, por vezes, gostava de estar com estas pessoas a conversar num café ou numa escola. São bons comentários, alguns críticos, mas sobretudo construtivos. No entanto, há poucos dias recebi um comentário de um professor de EVT (penso eu que o é) que dizia assim, passo a transcrever: “ó pazinho, Pensas que percebes algo de evt ou coisas do género. Tens ainda mto que aprender meu filho!!! “Os mais velhos sabem mais do que possas imaginar” Plutarco João”

Este comentário é uma desconversa, uma tentativa de ofensa. O género de conversa que por vezes domina as salas de professores. Alguém que puxa os galões da sua autoridade, como professor mais velho, e recalca o outro.
Eu, no entanto não me senti recalcado com este comentário. Aqui é meu território, não há qualquer tipo de autoridade, a web está liberta disso. Sei também que este comentário faz parte de uma cultura muito portuguesa que o José Gil várias vezes realçou nos seus livros. O fenómeno da não inscrição, “o não dar a cara”, o de destruir para não ter trabalho assumir uma construção. Gostava antes que o João Pestana (assim se intitulou o meu interlocutor) me tivesse dito o que achava que estava mal nesta retórica que criei (imagem e texto) sobre o que é evt. Assim eu podia reflectir e torna-la mais eficaz.

Sinto-me triste porque o novo estatuto da carreira docente ampliou a autoridade dos professores mais velhos em relação aos mais novos, implicando na carreira dos docentes, pois os professores titulares (tipo este João Pestana) avaliam os professores mais novos (como eu). Talvez o João Pestana, se tivesse na minha escola, dizia-me “ó pázinho toma lá um insuficiente para não andares para ai a dizer que percebes mto de evt”.

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11 thoughts on “O comentário

  1. …esqueci-me do “extraordinários” antes da palavra ‘profes’… :) nunca fui tua aluna mas não preciso de sê-lo ou de tê-lo sido para saber…
    Beijos

  2. Como concordo com o que dizes neste post!

    A crítica passa sempre em destruir e não em construir para seremos melhores e melhores para os nossos alunos.
    Infelizmente não se reconhece quem quer fazer bem, mudar o que funciona mal…

    ESSES professores nunca estão abertos a mudanças, param no tempo, julgam-se os melhores… não estão abertos ao diálogo construtivo.

    A crítica mais importante é a dos nossos alunos.

    Parabéns pelo excelente ”O que é EVT”.
    Os meus alunos adoraram!

  3. Olá, Tiago
    Sou tua colega, lecciono evt no Pinhal Novo, em Setúbal. Recebo todos os dias notícias do teu “sítio geométrico” muito apetecível e pertinentes os temas que exploras. Relativamente ao teu “O que é o evt”, este ano utilizei-o nas minhas aulas e considero-o excelente. “O Comentário” reflecte que o mundo leva tempo a revitalizar-se mais estamos no bom caminho. Tenho tido boas experiencias com os meus pares pedagógicos. O ano passado se tivesse querido ser avaliada teria sido por um professor titular mais velho mas, MUITO competente, revitalizador e com bom íntimo. Existem muitos bons professores em fim de carreira, que muito têm a nos ensinar e que estão dispostos a aprender com os mais novos. Na minha escola Pública, o departamento de Expressões Artísticas, transpira companheirismo, tolerância e boa disposição aliada de muito trabalho, empenho e de luta pelos nossos direitos. Nas manifestações temos aparecido com grandes faixas negras.

    “um dia seremos todos gigantes e tomaremos atenção apenas às coisas que valem a pena, às coisas grandes que nos tornam enormes”,
    frase retirada do teu blog (algures?)

  4. Olá Tiago,
    Existe gente boa e menos boa em todo o lado e em todas as idades. O importante são as nossas convicções e a largueza de vistas que temos. Ser bom, ou melhor, ser bem sucedido no que se faz, muitas vezes incomoda.Nunca conseguirás explicar a pobreza da mediocridade a um medíocre.
    Não percas tempo com “peanuts”.abraço.

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