Faixa

Um trabalho que fizemos com os alunos do 5º G ganhou o 1º prémio de um concurso de faixas escolares. Foi um trabalho agradável de fazer, um pouco apressado. Tentamos colaborar o melhor possível, este 1º prémio é muito bom para os alunos que, embora já estivessem orgulhosos do seu trabalho.
Fica aqui o projecto e o trabalho final. Ver tb aqui.

Hospital Pediátrico de Coimbra


Hoje fui ao Hospital Pediátrico de Coimbra , talvez, pela milésima vez. A minha filha piorou o estado clinico dela, ou seja o crohn voltou. Felizmente, como viemos a confirmar hoje, de uma forma muito ligeira.
Mas o que vos quero falar é da riqueza humana daquele hospital. A Enfermeira Rute é especialista na endoscopia, já faz endoscopias há minha filha desde os 4 meses, ou seja já fez umas dez, sempre ela. Trata as crianças sempre com bom humor, na verdade coloca-as a rirem-se às gargalhadas. O Dr. Ricardo uma pessoa extremamente trabalhadora e competente, fazia parte da equipa de médicos e agora é chefe da equipa. Foi ele que fez a colonoscopia e endoscopia à minha filha. Informa-nos sempre muito bem de tudo. Dra. Susana é a médica actual da minha filha e muito amiga, está sempre ao dispor e temos nela total confiança. Uma pessoa nova e muito competente. Os médicos de nariz vermelho, são os que melhor tratam as crianças, muitas vezes depois deles passarem as crianças ficam prontas para ter alta. Juro-vos que hoje chorei às gargalhadas a ver os disparates deles. Encontramos a nutricionista da Carolina que também fez uma festa à Carolina. Cruzei-me com voluntários que vão lá uma vez por semana ajudar as crianças internadas a passar melhor o tempo. Podia falar de muitos outros, mas não havia blogue para falar de tanta gente. Principalmente os médicos que são de uma dedicação exemplar, visitam os seus doentes internados todos os dias e até ao fim de semana. Alguns dos médicos parece que não têm vida privada. São pessoas extraordinárias. O Hospital está velho, existe um novo mas ninguém sabe quando fazem a mudança. Deve ser quando for necessário o Primeiro-Ministro fazer uma inauguração para ganhar mais popularidade. Entretanto as crianças internadas sofrem um pouco naquelas condições, com camas do tempo da outra senhora e 3 ou mais camas por quarto, as mães a dormir em cadeirões, etc…

Aveiro


Aveiro é uma cidade muito pequena, é mesmo pequenina. Quase parece uma aldeia. É tão pequena que se nós dermos um berro na estação, no rossio já sabem que somos loucos e andamos a dar berros pela rua. As autoridades andam muito ocupadas com a falta de espaço, resolveram para isso cortar um pouco a proa do moliceiro. Aqui está uma iniciativa inteligente, que mostra que, aqui na província temos iniciativa, somos tão bons como os de São Bento.

Projecto de jornal


Esta é capa de um jornal escolar. Além da capa existe um trabalho de paginação de qual eu me dediquei muitas horas. Mais de 50 horas. Estava muito orgulhoso pelo trabalho, principalmente porque existe uma excelente equipa de trabalho a funcionar. Por esta razão acho que há um conjunto de artigos pertinentes e de muita qualidade, este era sem dúvida um jornal que traria alguma novidade. Foi também por causa de uma exigência na qualidade dos artigos, recusando alguns, que o jornal poderá vir a ser suspenso por atentar a “uma liberdade de expressão”, um chavão que serve para tudo. Que pena que as pessoas gastem tanto estas palavras, a liberdade de expressão é demasiado importante para nós usarmos assim para tudo. Precisamos de alguma humildade para aceitarmos algumas das nossas falhas, para tentarmos melhorar. Claro que me sinto completamente arrasado com a situação. Estou um pouco sentido com a impossibilidade de me poder expressar, talvez até escreva isto numa acta, o atentado à minha liberdade de expressão. Talvez não me deva dedicar tantas horas há escola. Vou começar a ir devagarinho, de moliceiro.

Atentados

Dá muito jeito utilizar o Chavão de “Atentados à Liberdade de Expressão” para qualquer situação. Se ao Aluno se diz que tem cumprir regras e que só deve falar depois dos outros falarem e um assunto mais ao menos pertinente à aula o aluno faz queixa do professor que estava “Atentar à Liberdade de Expressão”. Noutro dia que chamei atenção de um aluno porque batia no vidro da janela da minha aula e perturbava o funcionamento da mesma – respondeu-me “A Escola é Pública e por isso eu faço o que quiser”.  Assim pouco clarificados vão alguns conceitos de alunos e pais. Admira-me que possa acontecer com adultos crescidos e diplomados cheios de doutoramentos. Fico triste que com o chavão do “Atentado contra a Liberdade de Expressão” seja uma maneira de manter uma certa mediocridade e derrubar um trabalho de qualidade de pessoas que trabalham mais horas do que são obrigados para bem da causa pública. Assim é típico português que anda com as mãos dos bolsos e diz “não dou a cara por isso” e se alguém dá a cara e muda alguma coisa arranja sempre o chavão que estão “Atentar contra a liberdade de expressão” para que as coisas não mudem muito e mantendo um certo grau de mediocridade. Eu pergunto, que expressão é esta (a expressão atentada)?

Vai de Moliceiro pela ria que é calma sem muitos sobressaltos.

A História da Castanha-de-terra e os 7 gigantes

Existe por ai uma princesa que o pai não é rei e está ausente (foi em campanha de guerra num sonho de conquista), uma madrasta que vive pegada a uma espécie de espelho que fala connosco, um desses espelhos rectangulares que existem em todas as casas em grande número e que emitem sons e imagens. A madrasta perguntava ao espelho TV:

– Espelho meu existe alguém mais feio do que eu?

– Existe sim, a castanha-de-terra, que não é bonita, nem chique, nem tem um telemovel de última geração, nem um cabelo como a menina da Loreal, nem cheira a chanel 5 e nem veste como as da Fashion tv.

Então a madrasta, que quer ser a mais feia de todas, porque não há motivo para ser bonita, porque a vida é só sacrifício e depois há esse espelho, essa droga permitida que nos deixa ausentes da vida, revoltada coloca a Castanha fora do seu pequenino castelo. A castanha-de-terra sozinha na selva encontra um a um os sete gigantes, pensando que estava a concretização de um sonho de menina. O gigantes tornam-se maiores, ocupam espaço e esmaga-na, para que ela não tenha vida e eles ocupam a vida dela. A Castanha-de-terra (não confundir com a Branca-de-neve porque esta é outra história) ouve o que um bruxo tem para lhe dizer e engole a pastilha saborosa e suculenta que o bruxo lhe dá. Com mais umas e outras doses a Castanha-de-terra fica adormecida para sempre porque nesta história não há um príncipe que a beija e a vai salvar deste sonho eterno.

Neste ano Europeu de combate à pobreza histórias como esta repetem-se por todo lado com uma ou outra variante. Um país só é verdadeiramente rico se conseguir que os seus cidadãos possam concretizar os seus sonhos e tenham expectativas sobre a sua vida. Mais que criar infra-estruturas desnecessárias é importante investir verdadeiramente na cultura e na educação. Não é dar Magalhães a todos os Portugueses, sem eles não saberem muito bem o que fazer com eles, ou colocar uma pseudo banda larga nas escolas. É permitir a construção de conteúdos, é criar ofertas educativas e culturais verdadeiramente  significativas à população, é fazer com que as escolas e universidades sejam realmente uma porta aberta para o mundo, criar expectativas ás populações a vários níveis e abrir caminho para que essas expectativas se concretizem. Não a farsa das novas oportunidades que só criou mais frustrações e falsas expectativas.

Irreverência ou a formiga no carreiro


Gosto da irreverência, gosto do exercício da irreverência. Mas por vezes existe um equivoco muito grande deste conceito. Na escola é comum confundirem uma criança mal educada e mimada com uma criança verdadeiramente irreverente. A diferença é grande, vou tentar dizer o que penso desta diferença.

Nós necessitamos, para vivermos em sociedade de cumprir regras. Quando vamos de carro, por exemplo, paramos nas passadeiras para deixarmos passar os peões. Não fazer isso não é um acto de irreverência, é um acto de pouca consciência social associado à falta de civismo. Na sala de aula, tenho vindo a tentar cuidar a situação das regras de trabalho, por respeito a mim e principalmente por respeito aqueles alunos que podem ser mais sensíveis ao caos. Por isso este ano lectivo procurei fazer respeitar as regras. Por exemplo numa aula de guache não permito que os alunos se levantem durante a aula com um godé ou pincel com guache visto que este pode cair em cima do trabalho dos colegas. Por vezes existem alunos que tem alguma dificuldade em compreenderem o exercício da cidadania com esta e outras regras. Então, habituados que estão a viverem sem muitas regras, não as querem cumprir. Os acidentes acontecem, por vezes perturbando os outros. O que me interessa referir aqui é que existe esta ideia reafirmada que este tipo de atitude é pura irreverência (alguns pais exibem com orgulho esta forma de estar), por vezes dizem que a escola tenta moldar a criança. Talvez seja verdade, mas os alunos verdadeiramente irreverentes existem, eles são pessoas sensíveis, criativas, originais, detestam situações de caos e mostram a sua inteligência de outra maneira. Percebemos nos diálogos, na qualidade das intervenções, no sentido de humor (não estereotipado), no desenvolvimento do seu trabalho. Por vezes, os pseudo irreverentes, não chegam aqui, ficam a ver os morangos com açúcar e os anúncios do sumol, convencidos da sua irreverência andam como formigas no carreiro. Gosto de todos, porque acredito que ainda se possa fazer alguma coisa e não desisto mesmo que o caminho seja sinuoso.

Mal-entendidos

Neste Livro Nuno Lobo Antunes apresenta de uma forma simples alguns dos problemas mais frequentes nas crianças (e adultos) que podem gerar mal entendidos na escola e medidas que podem ajudar os professores e os pais a ultrapassarem algumas das dificuldades que possam existir nos diagnósticos: Dislexia, disgrafia, discalculia, síndroma de asperger, perturbação de hiperactividade e défice de atenção, doença bipolar, perturbação de oposição e desafio, perturbação da conduta, tiques, síndroma de tourette e perturbação do sono.

O livro é muito claro o que leva qualquer leigo a compreender todos estes fenómenos, causas conhecidas e consequências.

Algures no livro Nuno Lobo Antunes refere que existe a tese que o défice de atenção é fruto de um património genético de quando éramos caçadores e necessitávamos de estar atentos a todos os sinais, o mínimo barulho de um tronco a quebrar, uma ave a cantar, etc. Eu acho esta tese, no mínimo de uma poética fabulosa. Mas faz sentido, visto que a criança com défice de atenção está com atenção a tudo o que se passa a sua volta, o barulho de um carro na estrada, os colegas a conversarem no outro lado da sala, o cão a ladrar, etc.

Joana Vasconcelos


O trabalho de Joana Vasconcelos permite ver como a arte contemporânea pode ser tão popular e perceptível por muita gente. Joana Vasconcelos procura uma portugalidade contemporânea e ironiza-a. Gostei especialmente da peça e filme “www.fatimashop”, uma peregrinação a Fátima com um motorizada pela estrada nacional para comprer as velas com a figura de Nossa Senhora de Fátima. A estrada vai revelando situações, personagens, possibilidades e também locais de venda.