A História da Castanha-de-terra e os 7 gigantes

Existe por ai uma princesa que o pai não é rei e está ausente (foi em campanha de guerra num sonho de conquista), uma madrasta que vive pegada a uma espécie de espelho que fala connosco, um desses espelhos rectangulares que existem em todas as casas em grande número e que emitem sons e imagens. A madrasta perguntava ao espelho TV:

– Espelho meu existe alguém mais feio do que eu?

– Existe sim, a castanha-de-terra, que não é bonita, nem chique, nem tem um telemovel de última geração, nem um cabelo como a menina da Loreal, nem cheira a chanel 5 e nem veste como as da Fashion tv.

Então a madrasta, que quer ser a mais feia de todas, porque não há motivo para ser bonita, porque a vida é só sacrifício e depois há esse espelho, essa droga permitida que nos deixa ausentes da vida, revoltada coloca a Castanha fora do seu pequenino castelo. A castanha-de-terra sozinha na selva encontra um a um os sete gigantes, pensando que estava a concretização de um sonho de menina. O gigantes tornam-se maiores, ocupam espaço e esmaga-na, para que ela não tenha vida e eles ocupam a vida dela. A Castanha-de-terra (não confundir com a Branca-de-neve porque esta é outra história) ouve o que um bruxo tem para lhe dizer e engole a pastilha saborosa e suculenta que o bruxo lhe dá. Com mais umas e outras doses a Castanha-de-terra fica adormecida para sempre porque nesta história não há um príncipe que a beija e a vai salvar deste sonho eterno.

Neste ano Europeu de combate à pobreza histórias como esta repetem-se por todo lado com uma ou outra variante. Um país só é verdadeiramente rico se conseguir que os seus cidadãos possam concretizar os seus sonhos e tenham expectativas sobre a sua vida. Mais que criar infra-estruturas desnecessárias é importante investir verdadeiramente na cultura e na educação. Não é dar Magalhães a todos os Portugueses, sem eles não saberem muito bem o que fazer com eles, ou colocar uma pseudo banda larga nas escolas. É permitir a construção de conteúdos, é criar ofertas educativas e culturais verdadeiramente  significativas à população, é fazer com que as escolas e universidades sejam realmente uma porta aberta para o mundo, criar expectativas ás populações a vários níveis e abrir caminho para que essas expectativas se concretizem. Não a farsa das novas oportunidades que só criou mais frustrações e falsas expectativas.

2 thoughts on “A História da Castanha-de-terra e os 7 gigantes

  1. Gosto muito como escreves.
    Trazes sempre temas que me fazem reflectir, coisas em que não pensamos porque andamos muito vezes ocupados com os nossos pequenos problemas.
    Concordo contigo, somos um país de farsas.
    Como os espelhos nos enganam!

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