Uma sala cheia de gente

Um dia pode sempre transformar o mundo. Dia 3 de Novembro pelo menos transformou o meu mundo. Foi no dia em que fomos à prisão ver José Luís, um libertado, o Peixoto de Galveias. José Luís Peixoto foi à prisão apresentar “Livro”, o mais recente livro que escreveu. Penso que com a entrada dele na prisão de Aveiro houve o inicio da grande fuga, a maior de todas.

São muitas as coisas que carregamos dentro de nós, por vezes reconhecem-nos apenas por algumas coisas. Por vezes reconhecem-nos pelas piores. Ninguém é só aquilo. Nós somos muitas coisas. Somos todos pessoas.  Depois contou um pouco a sua ligação com os livros numa vila em que pouco acontecia e havia pouco que fazer. Uma biblioteca itenerante com um motorista/bibliotecário que sabia aconselhar os livros.

Disse-nos como era importante escrever, libertador. Falou das suas tatuagens e como as pessoas às vezes são classificadas por parecerem alguma coisa aos olhos dos outros.

A Tarde foi na minha escola, e foi fantástico como José Luís Peixoto se relacionou com os alunos do 9º ano, a sua genuinidade, a sua franqueza atraio os alunos, criou pontes e ligações. “Como é possível um escritor já tão conhecido não ser um chato”.

A noite foi emocionante para o escritor, Aveiro na pessoa de Isabel Ribeiro trouxe-lhe um cheiro de Galveias e um pouco do seu passado, o percurso académico na escola primária, etc. Penso que este é mais um dos escritores que ficou fascinado por certas pessoas de Aveiro e quer regressar a esta cidade para completar tudo.

Para Aveiro é sempre bom receber este grande escritor, acreditamos nele, como acreditamos nos outros que nos visitaram e nos vão visitar brevemente, pois existe aqui uma Isabel Ribeiro que lança escadas, pontes e caminhos para que vá acontecendo  coisas por aqui.

 

 

One thought on “Uma sala cheia de gente

  1. Amigo Tiago:
    Gostei das palavras ternurentas, sensíveis e sensatas que dedicaste a JLP. Sei como gostas de o ler, como conheces bem a sua obra. Também sei como gostavas que mais pessoas o lessem, o reflectissem, digerissem, absorvessem. Justo este tributo que lhe prestas no teu blogue. JLP merece-a. Pela obra literária, pelo homem que sempre foi, é e dá mostras de o continuar a ser – autêntico, simples, sensível, atento, amigo.
    Quanto à referência ao meu nome, agradeço imenso a tua generosidade, no entanto, há que realçar o que não realçaste. Parafraseando A. Gedeão, aqui, em Aveiro, a mulher sonha e os amigos que a rodeiam e gostam destas lides pulam e avançam. Não seria nada sem vocês, Tiago. Limito-me a partilhar convosco aquilo de que gosto, o que sempre tentei fazer, embora com custos na vida profissional e familiar. Agora, liberta dos-que-fazeres-profissionais sinto-me a planar neste voo (que quer ser picado…) com um outro espírito, um outro prazer.
    Graças ao vosso calor humano, à vossa receptividade, envolvência, entusiasmo continuarei, desde que possa contar com os meus fiéis colaboradores. Obrigada pela tua ajuda. Tudo tão lindo, Tiago. E fazes-me as vontades todinhassssssssss. Os 36 postais!
    José Fanha em Janeiro… vai marcando na agenda, 27 será o dia de te reencontrares com o prof, o amigo que (re)encontras nele… Outros se seguirão, Ângelo Torres numa noite africana e valter hugo mãe a seguir. E o retorno aos percursos literários de que eu tanto gosto. Ir ao local, numa postura de S.Tomé, tocar para crer, sentir e ler, ler … nas Galveias para recomeçar. Tudo confirmado….

    NOTA: “nas Galveias, das Galveias”, ainda não sei porquê, mas vou investigar. Certo é que depois de o ter ouvido por lá, soa-me bem.…

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