Quem tramou ensino artístico?


Tenho ouvido discursos inflamados pelo fim da disciplina de EVT por parte de pessoas que outrora deram uma primeira machadada na área artística. Essa primeira machadada foi quando se juntou duas disciplinas numa só Educação Visual e Trabalhos Manuais ficaram numa única disciplina de Educação Visual e Tecnológica, foi na reforma curricular de 1990 no governo de Cavaco Silva. Muitos problemas surgiram nessa altura que nunca foram resolvidos, entre eles enumero dois: Um desentendimento generalizado com pessoas de formação completamente contrária os professores de Trabalhos Manuais e os professores de Educação Visual – em muitas escolas esse desentendimento continua muito presente e nunca foram na realidade resolvidos através da formação continua de professores; outro dos problemas foi um programa muito pouco claro e objectivo apenas com generalidades e sem se compreender um rumo. Na reforma curricular de 1990 não me lembro de muita contestação em relação ao facto de se perder tempo curricular nas duas disciplinas, o corte no número de professores (visto alterarem de 2 de TM e 1 de EV para apenas um par pedagógico), pelo contrário vi uma associação de professores muito empenhada nesta reforma (a mesma associação de professores que eu pertenço e que está a contestar – e muito bem – o fim de EVT). Eu vou ser prejudicado com esta reforma curricular que está a ser preparada, mas enervo-me muito quando os mesmos interlocutores que promoveram a reforma anterior (a primeira machadada no ensino artístico) estão agora a reclamar o fim do par pedagógico. É por isso a minha ausência nas manifestações, não posso estar ao lado desta contradição, dessa incoerência.
Eu por mim gostaria de ver uma mudança no ensino, gostaria de ver uma disciplina de arte, com um professor a leccionar (com a sua autonomia) e com 3 blocos semanais (270 minutos). Era uma forma de equilibrar o currículo.

4 thoughts on “Quem tramou ensino artístico?

  1. Tiago, não entendo porque se deu uma machadada no ensino artístico em 1990! Pela diversidade de formações dos pares pedagógicos constituídos à altura? Isso prejudica? Ou o modelo de co-docência é tido como menos virtuoso que o modelo de monodocência? Se sim, porquê?

    Abraço,

    Tomás

    • Tomás Porque muitas das pessoas não se entenderam, porque o programa foi pouco consistente (tal como já foi estudado e referido várias vezes por estudiosos), porque se reduziu nas horas curriculares. São muitos os professores que acham que houve falhas enormes nesta correlação entre professores de EV e TM. Em muitas escolas existe um desentendimento entre pares. Tiago

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