“O fio das missangas” de Mia Couto

Diverti-me imenso com este livro de curtos contos de Mia Couto. Entre eles está a da “A infinita fiadeira” uma história de uma aranha que fazia teias que não serviam para nada, quem se perturbava com aquilo era a mãe aranha que achava que a filha estava maluca.

” -Não faço teias por instinto.

– Então, faz porquê?

– Faço por arte.”

As queixas no aranhal multiplicam-se e resolveram dar um macho para ver se a aranha ganhava juízo. A Aranha em vez de devorar o macho apaixonou-se por ele. A familia desiludida consultou o deus dos bichos que fez com que a aranha se transformasse em humana.

“Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

– Faço arte.

– Arte?

E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, (…) em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres.”

O ritmo dos contos é excelente, sempre com uma poética muito própria. Da-nos este presentes fantásticos que para mim é vivido com especial emoção, especialmente este conto, visto que vivemos uma época onde está presente, na nossa sociedade, um pragmatismo demasiado ortodoxo. Lembro por exemplo as mudanças feitas nas área artísticas no currículo do ensino básico feito nos últimos 20 anos e especialmente o pretendido fazer com a próxima reforma educativa, onde os alunos terão menos tempo de ensino artístico e expressões para se dedicarem mais à matemática e língua portuguesa, visto que os responsáveis ministeriais tem uma visão redutora do desenvolvimento cognitivo.

 

Uma ideia para Portugal (e mundo) ficar melhor

Hoje é o dia para darmos ideias para resolvermos a crise me Portugal. Eu tenho uma ideia que não é nova mas continuo a insistir nela porque parece que ninguém me ouve.

Uma forma simples e barata de ir às compras, carregar a mochila do filho quando se leva à escola ou ir de férias com a bicicleta.

 

Deixarmos por completo os carros em casa (uma bicicleta custa em média 1/20 do preço de um carro). Vantagens: 1 – descem as importações (muitos dos países produtores de petróleo não respeitam os direitos humanos e existe uma diferença muito grande entre muito ricos e muito pobres); 2 – faz bem à cabeça e ao físico (gastamos menos em farmácia, médicos e hospital); 3 – Não poluímos o ambiente (este ano foram muitas as catástrofes meteorológicas no mundo) 4 – poupamos muito dinheiro e podemos comprar coisas mais importantes do que gasolina (livros de autores portugueses, entradas em museus, peças de teatro, espectáculos de dança ou artesanato português).

 

Paris vs Nova York

Vahram Muratyan fez um blogue http://parisvsnyc.blogspot.com/ que foi um êxito tão grande que pouco tempo depois foi feito um livro. São comparações visuais minimalistas, quase cartazes das duas cidades. Bem feito, com um certo sentido de humor e principalmente apresenta aspectos culturais muito diferentes dos cidadãos das duas cidades, de certa forma das a diferença dos dois continentes. Só um designer para conseguir esta análise e síntese cultural. http://www.viiiz.fr/ é a atelier de Muratyan.

Christoph Ruckhäberle


Christoph Ruckhäberle procura criar uma narrativa absurda, os seus quadros tem o aspecto de uma encenação cuidada mas absurda ou incompreendida onde não se percebe acção tanto violenta pela situação que apresenta como calma pela forma como agem os seus personagens. Nascido em Pfaffenhofen na Alemanha em 1972 mora em Leipzig.