AVEIRO E O PROJECTO PARA A AVENIDA, OU “A AVENIDA AMARRADA EM SI” (ARTIGO DE OPINIÃO DE RICARDO VIEIRA DE MELO)

Aveiro e o Projecto para a Avenida, ou
“A Avenida amarrada em si”.
(comentário à proposta apresentada)

Depois de mais de dois anos de discussão à volta da necessidade de requalificar a Avenida Dr. Lourenço Peixinho em Aveiro, a Câmara Municipal apresentou a proposta desenvolvida pela equipa designada pela autarquia. Pelo seu significado na cidade e pela sua importância urbana, o projecto merece ser “desmontado”.
Quando Lourenço Peixinho imaginou a Avenida Central para ligar o novíssimo Caminho-de-ferro com a cidade, imaginou-a ligada ao futuro, imaginou-a ligada ao exterior, moderna e fluida, com um perfil largo capaz de atrair novos habitantes, comércio e vida.
Aveiro viveu bem com o perfil romântico da avenida, durante quase 100 anos. Mas a cidade cresceu, e a placa central já por demais “roída” não serve nem peões nem automóveis, desperdiçando espaço.
Num tempo em que as relações “em rede” estão mais presentes que nunca, a avenida quer continuar a fazer parte da contemporaneidade. A qualificação urbana só faz sentido se mantendo as qualidades do espaço onde se intervém, ainda se promovam outras. A avenida Dr. Lourenço Peixinho foi desenhada como corredor de ligação, primeiro com a cidade tradicional, mais recentemente com cidade contemporânea, dispersa a sudeste. Ambas construíram Aveiro.
É necessário que a avenida continue a ser um espaço de confluência, onde os usos “colidam” entre si para gerarem mais histórias e experiências. E que ela se torne um grande íman gerador de tensões produzindo mais vida urbana.
A proposta que foi apresentada prevê uma avenida rematada por duas “praças” tampão e um corredor rodoviário central, com uma faixa de rodagem em cada sentido. Propõe que a entrada na avenida apenas se possa fazer lateralmente e que os topos nascente e poente deixem de a ligar à cidade. Propõe aos futuros utilizadores um verdadeiro exercício de adivinhação: a nascente, o túnel rodoviário por baixo da estação deixará de dar entrada para a avenida e conduz a um parque de estacionamento enterrado do qual se sai pelo mesmo túnel. As “Pontes” deixam de dar acesso ao lado poente da avenida. Essa será uma avenida transformada em largo… Opções a fazer lembrar outros exercícios de inversão urbana, como foram os casos de Lisboa nos anos 80, quando a equipa do então presidente Engº Nuno Abecassis se lembrou de inventar “contra-sentidos” nas avenidas novas, gerando o caos, ou ainda quando se tentou transformar a Rua do Carmo numa grande esplanada…erros que a história das cidades se encarrega de corrigir, mas por vezes a preços demasiadamente elevados!
No desenho urbano, à forma corresponde um nome. Uma avenida não é um largo, uma rua não é uma praça, uma alameda não é um beco!
O que se apresenta seria a subversão da cidade enquanto estrutura construída.
Um projecto assim rígido seria contrário à cidade contemporânea flexível, miscigenada de usos e fluxos. Com a intensificação da mobilidade os lugares ganham múltiplas escalas, e isso é bom! Imaginar a avenida desligada, é esquecer que Aveiro vai muito para lá dela. E essa opção é contrária ao desígnio urbano: juntar para libertar. Com liberdade e segurança podemos ter conexão e igualdade. A avenida assim proposta tornaria a cidade injusta porque se isolaria, tornando-se exclusiva dos seus moradores rejeitando a cidade distante. Um enorme desperdício!
Pedonalizar da forma como o estudo o prevê (reduzindo o perfil rodoviário a uma faixa em cada sentido) significaria tornar mais difícil a vida de quem quotidianamente a utiliza para habitar ou trabalhar. A avenida não é só dos seus comerciantes ou moradores, também não se destina apenas aos turistas que procuram as suas esplanadas. Nenhuma rua, nenhuma avenida é só do seu bairro…
Seria muito mau formatar uma avenida contra a cidade, contra o plural e o colectivo. A cidade é sinónima de convivência, de tudo e de todos. Ninguém pode acreditar que seja possível substituir a Avenida por um anel de oito quilómetros de comprimento e dez rotundas que só funcionará apenas num sentido, porque o futuro nó da A25, junto à “Vitasal” apenas permitirá a saída da auto-estrada.
Lisboa não fechou a Avenida da República quando abriu o eixo norte/sul, o Porto não encerrou a Avenida da Boavista quando inaugurou a VCI, Braga não bloqueou a Avenida da Liberdade quando construiu a sua circular. E é de bloqueio que se trata a proposta apresentada, desenhando a avenida como um lugar de exclusão, com fronteiras intransponíveis a nascente e poente.
O modelo de crescimento de Aveiro assentou na auto-mobilização dos seus munícipes que se viram forçados a procurar a periferia da cidade. Com a dificuldade dos transportes públicos em conviverem com essa cidade dispersa, a condição periférica seria ainda mais penalizada afastando mais o centro. A acessibilidade da Avenida é parte da sua sustentabilidade! Não há Avenida se não se puder entrar nela! Restringir o uso da avenida desse modo pode significar a sua asfixia. A cidade deve viver como um todo, integrado. A Avenida foi desenhada para unir e não para separar. Resolver a Avenida com este modelo viário significaria transformar a Avenida numa fronteira que dividiria a cidade em dois (o norte e o sul)

Nenhum Aveirense quer a avenida como está, mas duvido que a queiram do avesso! A avenida não necessita de transformações violentas que a isolem, antes precisa de medidas mais amigáveis e sustentáveis que promovam a sua procura: diminuir a contribuição autárquica na área central da cidade, promover a flexibilização dos horários comerciais, aumentar os passeios retirando a faixa central e repondo arborização frondosa, seriam verdadeiras soluções: rápidas, eficazes e económicas. Custariam uma pequena fração do que propõe a equipa encontrada para o projecto.
E é de sustentabilidade que se trata, sustentabilidade financeira e sustentabilidade urbana. Mas ambas parecem estar fora das preocupações da actual Câmara quando promove e suporta um projecto desenvolvido em direcção oposta.

Ricardo Vieira de Melo,
Arquitecto, Professor Universitário

9 thoughts on “AVEIRO E O PROJECTO PARA A AVENIDA, OU “A AVENIDA AMARRADA EM SI” (ARTIGO DE OPINIÃO DE RICARDO VIEIRA DE MELO)

  1. Faz parte dos projetos atuais, na generalidade atuar com interveção de “desertificação”. E em que sentido? Num vazio de ligações ao existente, num cortar de amarras com o passado, na criação de espaços inóspitos (amplos, vazios, sem vida e sem referências simbolicas para os usuários), … Não sei muito bem se isto é a Supermodernidade, o a contemporaneidade….nem sei para quem são pensadas muitas intervenções que vemos pelo nosso país! Para mim não foram! Pois sinto-me desconfortável!
    Nem sei, sequer, se a epoca da fobia pelo automóvel já foi motivo de psicanálise para muitos! Pois foi com este motivo que se animaram muitas intervenções deste genero!
    Não podemos lutar contra o automóvel. Enquanto não encontrarmos uma solução para a sua integração no nosso desenho urbano, as barreiras, as fronteiras, os limites continuarão a parecer forçados e impostos, surgindo como contra-natura!
    Peço aos colegas novas dinãmicas de intervenção, mente aberta e criativa e disponibilidade na criação de novas fórmulas de VIDA! Somos responsáveis para criar as condições para a Felicidade das pessoas, das cidades! Sejamos merecedores desse voto de confiança!

    Sandra Silva, Arq

  2. “Propõe que a entrada na avenida apenas se possa fazer lateralmente e que os topos nascente e poente deixem de a ligar à cidade”

    A critica ao projecto contém muitas frases como a que cito acima. É sintomática desta visão nono-modal da cidade e da realidade. Sem reparar, o autor está a referir-se aos carros como se fossem os únicos utilizadores da cidade. Muitos dos leitores igualmente carro-dependentes, nem sequer repararão que o artigo tem várias frases assim. Obviamente o autor só está a pensar na utilização da avenida pelo carro. Foi assim que chegamos ao estado actual da Avenida. Numa coisa tem razão: o Lourenço Peixinho tinha uma visão bem mais equilibrada.

    Claro que o politicamente correcto implica que fale na cidade para todos. Mas…. nas entrelinhas nota-se que, para o autor destas linhas, os outros modos de transporte não contam:

    “Propõe aos futuros utilizadores um verdadeiro exercício de adivinhação: a nascente, o túnel rodoviário por baixo da estação deixará de dar entrada para a avenida e conduz a um parque de estacionamento enterrado do qual se sai pelo mesmo túnel. As “Pontes” deixam de dar acesso ao lado poente da avenida. ”

    Com académicos assim, com uma visão tão limitada da cidade e da sua diversidade, não vamos longe.

    João Ribeiro

    • Aparentemente, o artigo não foi suficientemente claro. A crítica é essencialmente ao descuido com que o projecto propõe o fecho das entradas nascente e poente da Avenida. O texto não questiona as vantagens de dar prevalência ao peão, nem as de qualificar o espaço público, ambas bem necessárias a Aveiro que convive ainda, e inexplicavelmente, com inúmeras ruas sem passeios – algumas ainda em construção…
      Mas parece que o projecto apenas considera os peões e desconsidera o automóvel individual – transporte que numa cidade dispersa como Aveiro se torna inevitável. Esse encerramento dos topos da Avenida nem sequer permitiriam a entrada de autocarros (por mais escassos que eles sejam nesta cidade…) pelo lado da Estação… O “bloqueio” proposto seria uma verdadeira “trombose” do centro da cidade e da Avenida.
      Por muito que custe ao autor deste comentário, esta avenida também precisa de automóveis, como precisa de peões, de bicicletas, de autocarros, de motociclos, de skates, e segways…
      A Avenida Dr. Lourenço Peixinho tem de ser de todos os utilizadores de Aveiro. Dos que nela moram e de todos os outros que a procuram, sejam da Beira-mar ou de Azurva, do Porto ou de Lisboa.

      Ricardo Vieira deMelo

  3. Parece-me óbvio que quando o Ricardo diz que o projecto “propõe que a entrada na avenida apenas se possa fazer lateralmente e que os topos nascente e poente deixem de a ligar à cidade” apenas está a fazer a leitura da cidade com os olhos de um condutor de automóvel. Podia ser um deslize pontual, infelizmente comum. Agora tenta emendar a mão falando em suavizando o texto, mas no artigo original são inúmeros os exemplos em que é óbvio que só está a pensar e com atenção no acesso automóvel: para o Ricardo a palavra “utentes” tal como é usada significa “automobilistas”. A cegueira é tal que, mesmo depois de ser chamado a atenção, no último comentário continua a dizer que “o projecto propõe o fecho das entradas nascente e poente da Avenida”. O erro é de tal forma infantil e prevalente que é de facto um excelente exemplo de pensamento enclausurado num determinado paradigma: o próprio autor nem repara no absurdo das frases que escreve. Vê o mundo por um canudo.

    Não conheço o projecto para além do PowerPoint apresentado pelos autores, mas é óbvio que a avenida continuará com acesso automóvel e cerca de 1/3 do seu espaço será dedicado ao automóvel. Estamos portanto perante uma encenação de terror própria de quem não consegue entender o mundo para além do seu “canudo”. Como é óbvio o projecto tem espaço para todos os modos de transporte inclusive automóveis (e autocarros! Contrariamente ao que afirma o Ricardo, é perfeitamente claro da apresentação, que o túnel da estação permitirá o atravessamento por autocarros). Mais, o pseudo-tampão a que se refere o Ricardo (mais uma vez só a pensar nos carros) retoma uma situação que existiu durante décadas, antes de se desperdiçar dinheiros públicos num túnel que abriu a avenida à voracidade dos automóveis. Eu acho que a avenida pode e deve ter acesso automóvel, é portanto abusivo da sua parte tentar colocar-me, a mim e autores do projecto, do lado dos que acham que não devia haver carros na avenida – contrariamente ao Ricardo tenho uma visão bem mais equilibrada da cidade.

    O “papão” da cidade dispersa também não colhe, aliás porque o projecto contempla um enorme parque de estacionamento (quanto a mim excessivo, o Calcanhar de Aquiles da sua realização e com inúmeros problemas que estão fora do âmbito deste comentário), por isso a avenida continuará perfeitamente acessível aos utentes que queiram chegar de automóvel.

    Há inúmeras questões que não gosto no projecto, mas pretender que uma proposta que simplesmente reduz a presença automóvel “apenas considera o peão” é uma táctica feia de obscurantismo, porventura produto de ciumeira profissional e/ou uma exacerbada e doentia auto-dependência.

    Nada disto me espanta quando foram estes professores e estas escolas de arquitectura que ajudaram a produzir estas medíocres cidades contemporâneas, onde muitos de nós temos que viver.

    João Ribeiro

    • Julgo não conhecer o João, e não sei qual é a sua formação, mas pelos vistos não entende ou não quer entender a extensão do problema que uma “clausura” aos automóveis vindos de poente ou nascente traria.
      Sim, o meu texto é em defesa da manutenção do atravessamento longitudinal da Avenida, a poente e nascente pelos automóveis. Sim, temos de viver nestas absurdas e dispersas cidades contemporâneas portuguesas permitidas e suportadas por autarquias sedentas de taxas, por especuladores e bancos que só pensaram no seu umbigo. Mas a realidade é mais forte que quaisquer “boas intenções”: os cidadãos dessas periferias existem e têm o mesmo direito que o João a utilizar e entrar, de carro na Avenida. E, de facto, a Avenida não é um Largo.
      Ninguém foi capaz de imaginar a Avenida dos Combatentes em Viana do Castelo fechada junto à estação e junto ao Monumento ao 25 de Abril, ou de conceber a Avenida da Boavista no Porto encerrada ao trânsito no Castelo do Queijo e na Rotunda da Boavista, nem os franceses (pioneiros do urbanismo contemporâneo) se lembrariam de bloquear aos automóveis os Campos Elísios junto ao Arco de Triunfo e na Praça da Concórdia. Uma visão assim medieval, amuralhada, não faz nenhum sentido.
      Respeito a sua opinião, com a qual não concordo, mas penso que lhe seria útil conhecer algumas requalificações de centros urbanos onde todos saíram a ganhar e não se “diabolizou” o automóvel. Posso recomendar-lhe o centro do Porto, qualificado aquando da “Porto 2001”; Póvoa de Varzim; Viseu; Guimarães…só para lhe falar de exemplos portugueses, ou até da requalificação da Diagonal de Barcelona. Em todos estes exemplos, as vias estruturantes não “desapareceram” como se propõe em Aveiro, pois é esse o seu papel: estruturar, organizar, distribuir, ligar.

      Ricardo Vieira de Melo

  4. Ninguém está a “diabolizar” o automóvel quando se disse claramente que a avenida pode e deve ter acesso automóvel – encostar quem vê o mundo de forma diferente, a posições radicais e fundamentalistas é um truque de retórica conhecido, mas que não tem lugar numa conversa inteligente. Agora que já corrigiu a suas frases e reconhece e explicita que o fecho dos topos da avenida é só em relação a um dos modos de transporte, podemos começar a perceber que acha que as soluções do projeto para a redução da presença do automóvel na avenida, são exageradas. Está no seu direito. É a sua intuição. Mas como suspeitei que se trata de uma mera intuição, decidi dar alguma importância aos seus vícios semânticos. Nas entrelinhas do seu texto nota-se que a sua intuição está profundamente distorcida por uma (falta de) visão muito particular da realidade.

    Espero pelo menos que tenha percebido agora que ao afirmar que o projeto “fecha” a avenida nos topos, sem mais, está sem querer a revelar um ponto de vista grotescamente mono-modal na leitura do projeto. Sem querer, nem repara que a frase ignora todos os outros modos e que o projeto até parece ter como objetivo programático “abrir” mais a avenida a todos os outros modos de transporte (de facto, e para sermos perfeitamente justos, com a abundância de estacionamento proposto, o projeto permitirá “abrir”, também e ainda mais, o acesso de quem chega de automóvel).

    No entanto, até este último comentário continuava a usar as palavras “abrir” e “fechar” como se só existissem utentes de carro. Estes pequenos erros de semântica são importantes porque lhe brotam da escrita de uma forma natural, quase psicanalítica. Por mais que se esforce, o seu ponto de vista é por trás do volante e de olhos fixos no retrovisor. Compreenda o seguinte: se o projeto for implementado, nada impedirá que alguém de Lisboa, do Porto, de Ílhavo ou Azurva estacione e desfrute da avenida. De facto e em rigor nada indica que alguém, seja lá de onde for, não possa entrar na avenida, pasme-se, de carro. Para alguém liberto de preconceitos, é fácil de perceber que, se for construido tanto lugar de estacionamento, o acesso automóvel será mais fácil e não mais difícil. Esta facilidade de acesso em automóvel tem, como é óbvio, aspetos positivos e negativos que não interessa agora discutir. Importa só realçar que estamos perante um cenário oposto ao que tenta traçar com algum dramatismo formal.

    Tenho notícias para si: a maior parte dos exemplos que dá, são infelizmente tristes canais viários, mal cheirosos, inseguros, barulhentos e não exatamente exemplos a seguir. Atrevo-me a sugerir que o pequenino provincianismo português continua a olhar para Paris de Haussman, estagnado no complexo de inferioridade de quem vai lá procurar as luzes. Também, não me espanta que as fantasias Corbusianas de velocidade, fluxos e modernidade sejam o modelo. No fundo foram ideias que formataram a cabeça de uma geração de arquitetos. Com os resultados à vista de todos. Felizmente nem todos os arquitetos pensam assim. A Avenida continuará a ser obviamente estruturante – mais uma vez associar “estrutura” aos fluxos de um só modo, é bem revelador – nem interessa se concordo ou discordo de si, anoto simplesmente a intensidade, convicção e, errm, miopia do seu ponto de visa. Não leve a mal os meus comentários, no fundo o Ricardo é uma prova viva e útil da força de um paradigma, seja ele qual for.

    João Ribeiro

  5. Parece que estão claras ambas as posições. O João que acha que a Avenida pode funcionar plenamente sem permitir o seu atravessamento automóvel longitudinal, ou seja que é sempre um ponto de chegada, ou de partida e nunca um meio… E a minha opinião que é contrária a essa imposição projetual. Convicções contrárias. Leituras diferentes da realidade.

  6. Ricardo, muito obrigado pela paciência e vontade de pensar. Mas vejo que continua com os mesmos vícios de linguagem – velhos hábitos.

    Apesar de estar convencido que tem uma posição holística sobre a cidade, a sua linguagem acaba sempre por o trair. Repare como Insiste em ver a realidade por um canudo: para si a minha posição, e consequentemente a do projeto, defende que a Avenida seja “*sempre* um ponto de chegada, ou de partida e *nunca* um meio”.

    Aparentemente não percebeu que a minha interpelação, em todos os meus comentários, nem foi sequer com a intenção de defender o projeto. Era tão só para alerta-lo que, a forma como escreve e raciocina, tem por hábito ignorar todos os modos de transportes que não sejam o carro. Estes deslizes de linguagem revelam um ponto de vista que não permite que analise o projeto em todas as suas vertentes. É óbvio que para si, o carro é o veículo que estrutura, distribui e liga – todos os outros modos de deslocação parecem ser elementos folclóricos de uma época pré-moderna.

    Sim, parece-me que agora ambas as posições estão claras.

    João Ribeiro

  7. separador central para eléctrico, eliminação do estacionamento, alargamento dos passeios. Silo auto nas traseiras do Oita e parque de estacionamento na entrada nascente da estação.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s