O guardião


Há um homem que vive
na Praça de Sant Felip Neri em Barcelona
dia e noite, com as pombas, abriga-se nos buracos da parede.
Muitos pensam que é apenas um velho pedinte louco,
muitos ignoram-no e desprezam suas mãos sujas, suas barbas amarelecidas, muitos afastam-se do seu bafo mal cheiroso.
O que as pessoas não sabem é que ele é guardião da memória daquela praça,
testemunha de um massacre sanguinário.
Ele, órfão da brutalidade, viu os seus pais a serem fuzilados ali,
agora vive por lá para preservar uma memória
e para explicar aos turistas,
que aqueles buracos não foram feitos pelas pombas que neles se abrigam,
nem das milhares de balas disparadas pelas espingardas,
nem dos soldados que as manipularam sobre ordens do superior.
Quem fez aqueles buracos foi a vontade de ver reprimida o desejo de liberdade
e uma ignorância disfarçada.
Cada buraco foi fruto de centenas de balas,
e em cada pedra foi projectado as milhares de balas que trespassaram homens e mulheres
o seu sangue esguichou e
correram litros pelo chão daquelas calçadas,
sangue de homens e mulheres que se negaram a pensar de uma só maneira
e outros que foram vitimas de invejas de vizinhos delatores
aquele homem não deixa tapar os buracos
aquele homem não deixa apagar a memoria daquela barbaridade
aquele homem diz a toda a gente “Always remember the victims of fascist regimes”

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