Açores, “Vu sur terre”

Açores, ‘Vu sur terre’ from a cidade na ponta dos dedos on Vimeo.

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No fundo do poço


Num dos livros de Murakami “Crónica de um pássaro de corda” a personagem principal refugias-se no fundo do poço durante uns dias, descreve todas as sensações que encontrou ai, depois há uma adolescente que o ajuda a sair do poço. Mas conheço quem nunca mais saio de lá, aos poucos foi incapaz de trepar e foi-se esmorecendo. Primeiro foi viver para um vale escarpado, com poucas possibilidades de sair, foram poucos os que o visitaram, era difícil o acesso. Não havia um sorriso honesto de amizade por parte dele, não havia uma gargalhada depois de uma boa anedota, não havia nada, apenas uma amargura constante e um queixume continuo. São muitos aqueles que iniciam assim, entre queixas, segredos e intrigas para depois irem viver para o fundo de um poço.

Os Guiliaks na Sacalina

Os Guiliaks na ilha Russa de Sacalina caracterizados no livro de Tchékhov “A Ilha de Sacalina” e evocados por Murakami no livro “1Q84” tem características apaixonantes:

1 – “…os guiliaks consideram o trabalho no solo como um grande pecado; qualquer pessoa que que cave a terra ou plante qualquer coisa morrerá cedo. Porém comem com grande prazer o pão, que conhecem por intermédio dos russos, e consideram-no um acepipe.”

2 – “Só mentem quando fazem negócio ou quando falam com pessoas suspeitas e, na sua opinião, perigosas, mas, antes de dizerem uma mentira, trocam olhares entre si, num gesto absolutamente infantil. Repugna-lhes toda a espécie de mentira e bazófia no decurso da vida quotidiana, mas não no âmbito dos negócios.”

3 – “Os guiliaks desempenham conscienciosamemente as tarefas que lhes confiam, e não há memória de um guiliak abandonar o correio a meio do caminho ou apropriar-se de bens de outra pessoa.”

4 – “São alegres, sensatos, bem dispostos e não sentem qualquer constrangimento na presença de ricos e poderosos. Não reconhecem nenhum tipo de autoridade e, segundo parece, nem sequer tem o conceito de superior e inferior”

5 – ” A dificuldade que têm para nos entender pode medir-se pelo simples facto de, até hoje, ainda não terem compreendido qual a finalidade das estradas. Mesmo nos sítios em que se construiu uma estrada, eles ainda viajam através da taiga. É frequente vê-los, com a família e os cães, a abrir caminho, em fila indiana, num pântano ao lado da estrada.”

Ilha de Sacalina

Livro de Tchékhov

A causa da minha ausência


Além do trabalho que tem sido intenso, a principal causa da minha ausência no blog deve-se às pedaladas que tenho feito por Aveiro e arredores (cada vez mais nos arredores). Trata-se de muita coisa, não é apenas fazer exercício físico que vou começar a relatar:
1º é uma experiência estética rica e valiosa, o Outono é fantastico para se andar entre os trilhos, caminhos, estradões. Aveiro tem paisagens que ultrapassam as visões redutoras da tradicional ria urbana, os moliceiros e as casinhas da costa nova. Existe um mundo imenso à volta de Aveiro.
2º conheço gente fantástica, andar de bicicleta é uma boa forma de conhecer gente, tanto os meus amigos e colegas de trabalho, dos amigos de Viver Vilar BTT, assim como a equipa a que pertenço do Geotrilhos e a malta da Massa Crítica de Aveiro. É uma forma de sair da viciante roda de amigos, aqui conhecemos muitas pessoas diferentes mas com muita vontade de pedalar. Há um sentido de camaradagem e de solidariedade nestes passeios por Aveiro.
3º é uma forma de ultrapassar as nossas limitações, de chegar ao infinito. Eu nunca pensei que conseguisse fazer coisas que fiz, como participar em provas de BTT, participar no assalto ao Caramulo com 37km sempre a subir, de acompanhar algumas pessoas no btt.
4º retirar no nosso corpo e mente a porcaria acumulada, andar de bicicleta é uma forma de me por bem disposto e vencer as contrariedades da vida.
5º saber que qualquer obstáculo é sempre mais um desafio. O BTT permite teremos a noção que devemos ultrapassar todos os nossos obstáculos, mas nunca desistir.
As fotos não são minhas, umas do Paulo Gonçalves, outras de associações que participaram no assalto ao Caramulo e até mesmo da organização.

De Almeida a Marialva passando por Castelo Rodrigo

Um dos lugares mais bonitos de Portugal, um planalto de se ver o horizonte, com vales onde correm rios e nos surpreendem no nosso caminho, uma paisagem luminosa e rochosa onde se imaginam batalhas ganhas, cavalgadas fantásticas. Castelos onde se encontram ainda vestígios de um passado. Passeei por lá, tirei umas fotos mas elas são insuficientes para o deslumbramento que a paisagem nos provoca.

O prazer de andar de bicicleta – o meu passeio a Sever do Vouga

Tenho um prazer enorme em andar de bicicleta. 1º há um ritmo que é necessário usar com os pedais, esse cadenciar faz-me bem, é como uma música que me acompanha, mesmo quando vou sozinho. 2º o equilíbrio é fundamental, um equilíbrio que se tem que estabelecer e que nos obriga a manter. 3º a velocidade é a suficiente para chegarmos a sítios que não conhecemos mas também não é rápida de mais, com a velocidade da bicicleta podemos contemplar a paisagem como fiz nesta minha viagem a Sever do Vouga.

Parar para beber um sumo e uma salada de fruta


La Boqueria é paragem obrigatória em Barcelona, fica a meio das Ramblas entre a Praça Catalunha e Santa Mónica. Além de beber o sumo e comer a salada de fruta, podemos usufruir do festival de cores daquele mercado. Podemos ainda verificar que, embora aquele mercado fique no centro de Barcelona, grande parte dos produtos são mais baratos do que em Portugal. Nos supermercados também notamos isso, assim como nas livrarias, etc. Sei de fonte segura que o aluguer de um apartamento no centro de Barcelona é mais barato do que na periferia de Lisboa. Sendo os ordenados muito superiores ao de cá como é possível que isto aconteça?







Always remember the victims of fascist regimes


Em Barcelona há uma praça (Plaça St Felipe Neri) onde o Franco, durante a guerra cívil, fuzilou todos aqueles que se manifestavam (ou eram acusados de se manifestar) contra o regime. Foram milhares de mortos, cada buraco foi feito com centenas de balas. Ainda hoje os Catalães não esquecem o que foi este acto sanguinário e por isso Barcelona tem uma orientação política essencialmente à esquerda, é também por isso que é uma cidade cosmopolita e tolerante, é também por isso um grande centro de artes e de criatividade porque estas coisas estão relacionadas.É bom ter um primo em Barcelona, reencontrei nesta viagem que fiz depois de muitos anos sem o ver, foi ele que me levou a conhecer um pouco mais da cultura catalã.

Hospital Pediátrico de Coimbra


Hoje fui ao Hospital Pediátrico de Coimbra , talvez, pela milésima vez. A minha filha piorou o estado clinico dela, ou seja o crohn voltou. Felizmente, como viemos a confirmar hoje, de uma forma muito ligeira.
Mas o que vos quero falar é da riqueza humana daquele hospital. A Enfermeira Rute é especialista na endoscopia, já faz endoscopias há minha filha desde os 4 meses, ou seja já fez umas dez, sempre ela. Trata as crianças sempre com bom humor, na verdade coloca-as a rirem-se às gargalhadas. O Dr. Ricardo uma pessoa extremamente trabalhadora e competente, fazia parte da equipa de médicos e agora é chefe da equipa. Foi ele que fez a colonoscopia e endoscopia à minha filha. Informa-nos sempre muito bem de tudo. Dra. Susana é a médica actual da minha filha e muito amiga, está sempre ao dispor e temos nela total confiança. Uma pessoa nova e muito competente. Os médicos de nariz vermelho, são os que melhor tratam as crianças, muitas vezes depois deles passarem as crianças ficam prontas para ter alta. Juro-vos que hoje chorei às gargalhadas a ver os disparates deles. Encontramos a nutricionista da Carolina que também fez uma festa à Carolina. Cruzei-me com voluntários que vão lá uma vez por semana ajudar as crianças internadas a passar melhor o tempo. Podia falar de muitos outros, mas não havia blogue para falar de tanta gente. Principalmente os médicos que são de uma dedicação exemplar, visitam os seus doentes internados todos os dias e até ao fim de semana. Alguns dos médicos parece que não têm vida privada. São pessoas extraordinárias. O Hospital está velho, existe um novo mas ninguém sabe quando fazem a mudança. Deve ser quando for necessário o Primeiro-Ministro fazer uma inauguração para ganhar mais popularidade. Entretanto as crianças internadas sofrem um pouco naquelas condições, com camas do tempo da outra senhora e 3 ou mais camas por quarto, as mães a dormir em cadeirões, etc…