Para que servem os políticos

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Os políticos servem para governar uma nação que é composta por pessoas (o povo). Devem governar servindo os melhores interesses desse mesmo povo que o elegeu para tal função. A principal obrigação de um político é promover a felicidade de todos a curto, médio e a longo prazo. Quando esses políticos não o fazem e servem apenas os interesses de alguns devem ser corridos ao pontapé pois são demasiado caros ao estado!

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Teoria da conspiração

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Neste ano lectivo o Ministério da Educação resolveu acabar com uma disciplina do currículo do ensino básico e substituir por duas disciplinas retirando também um professor ao par pedagógico.
Acredito vivamente que esta decisão foi encomendada, visto que se torna perigoso uma disciplina com uma forte componente de projecto no ensino básico, os alunos aprenderem a fazer coisas em vez de obedecerem a um programa rigoroso de técnicas (linguisticas ou matemáticas). Há uma necessidade de se criar seres inactivos, consumidores obedientes, gente treinada para responderem bem aos exames e testes, bons e obedientes operários. A disciplina de EVT não era o ideal, foi perdendo ao longo do tempo horas curriculares e os dois professores com formação diferente numa sala de aula nem sempre as coisas corriam como deviam. No entanto havia aspectos muito positivos como a possibilidade de se dar um apoio individualizado necessária ao trabalho de projecto e um trabalho com forte componente artístico. Parece-me que agora as disciplinas tornam-se mais académicas com conteúdos que são obrigatórios e que só são dados através de fichas de trabalho onde existe um domínio da utilização do verbal. Há necessidade que o aluno experimente, erre, utilize as linguagem visual, projecte e deseje formas, faça uma utilização da cor, faça opções estéticas e técnicas que o ajude a saber viver num mundo cada vez mais complexo. Esta opção tomada pelo ME poderá ter sido errada e terá enormes consequências nas gerações futuras. Ao invés desta mudança devia era ter havido outras, como por exemplo: a criação de uma disciplina de expressão dramática, a criação de uma disciplina de expressão corporal e dança, mais horas para educação artística. Poupo-se uns euros com alguns professores de EVT fora do sistema de ensino (provavelmente desempregados) mas ficamos muito mais pobres, visto que vamos ter crianças a chegar ao secundário, mais revoltadas, com menos skills, mais infelizes, com menos capacidade de autocrítica, com menos capacidades de raciocínio, serem menos capazes de fazerem as coisas e comprarem tudo feito.

Vivienne Westwood e AR

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Active Resistence to Propaganda é uma das batalhas que esta punk, Vivienne Westwood, pretende ganhar (ou pelo menos agitar as consciências). Ela acredita que pela a arte as pessoas podem resistir à propaganda que tem como objectivo a redução do ser humano a um consumidor cada vez mais formatado nas suas opções. Quando as pessoas são produtoras de arte têm que enfrentar milhares de  genuínas decisões e assim fugir à norma, à grande formatação das nossas consciências.

 

AVEIRO E O PROJECTO PARA A AVENIDA, OU “A AVENIDA AMARRADA EM SI” (ARTIGO DE OPINIÃO DE RICARDO VIEIRA DE MELO)

Aveiro e o Projecto para a Avenida, ou
“A Avenida amarrada em si”.
(comentário à proposta apresentada)

Depois de mais de dois anos de discussão à volta da necessidade de requalificar a Avenida Dr. Lourenço Peixinho em Aveiro, a Câmara Municipal apresentou a proposta desenvolvida pela equipa designada pela autarquia. Pelo seu significado na cidade e pela sua importância urbana, o projecto merece ser “desmontado”.
Quando Lourenço Peixinho imaginou a Avenida Central para ligar o novíssimo Caminho-de-ferro com a cidade, imaginou-a ligada ao futuro, imaginou-a ligada ao exterior, moderna e fluida, com um perfil largo capaz de atrair novos habitantes, comércio e vida.
Aveiro viveu bem com o perfil romântico da avenida, durante quase 100 anos. Mas a cidade cresceu, e a placa central já por demais “roída” não serve nem peões nem automóveis, desperdiçando espaço.
Num tempo em que as relações “em rede” estão mais presentes que nunca, a avenida quer continuar a fazer parte da contemporaneidade. A qualificação urbana só faz sentido se mantendo as qualidades do espaço onde se intervém, ainda se promovam outras. A avenida Dr. Lourenço Peixinho foi desenhada como corredor de ligação, primeiro com a cidade tradicional, mais recentemente com cidade contemporânea, dispersa a sudeste. Ambas construíram Aveiro.
É necessário que a avenida continue a ser um espaço de confluência, onde os usos “colidam” entre si para gerarem mais histórias e experiências. E que ela se torne um grande íman gerador de tensões produzindo mais vida urbana.
A proposta que foi apresentada prevê uma avenida rematada por duas “praças” tampão e um corredor rodoviário central, com uma faixa de rodagem em cada sentido. Propõe que a entrada na avenida apenas se possa fazer lateralmente e que os topos nascente e poente deixem de a ligar à cidade. Propõe aos futuros utilizadores um verdadeiro exercício de adivinhação: a nascente, o túnel rodoviário por baixo da estação deixará de dar entrada para a avenida e conduz a um parque de estacionamento enterrado do qual se sai pelo mesmo túnel. As “Pontes” deixam de dar acesso ao lado poente da avenida. Essa será uma avenida transformada em largo… Opções a fazer lembrar outros exercícios de inversão urbana, como foram os casos de Lisboa nos anos 80, quando a equipa do então presidente Engº Nuno Abecassis se lembrou de inventar “contra-sentidos” nas avenidas novas, gerando o caos, ou ainda quando se tentou transformar a Rua do Carmo numa grande esplanada…erros que a história das cidades se encarrega de corrigir, mas por vezes a preços demasiadamente elevados!
No desenho urbano, à forma corresponde um nome. Uma avenida não é um largo, uma rua não é uma praça, uma alameda não é um beco!
O que se apresenta seria a subversão da cidade enquanto estrutura construída.
Um projecto assim rígido seria contrário à cidade contemporânea flexível, miscigenada de usos e fluxos. Com a intensificação da mobilidade os lugares ganham múltiplas escalas, e isso é bom! Imaginar a avenida desligada, é esquecer que Aveiro vai muito para lá dela. E essa opção é contrária ao desígnio urbano: juntar para libertar. Com liberdade e segurança podemos ter conexão e igualdade. A avenida assim proposta tornaria a cidade injusta porque se isolaria, tornando-se exclusiva dos seus moradores rejeitando a cidade distante. Um enorme desperdício!
Pedonalizar da forma como o estudo o prevê (reduzindo o perfil rodoviário a uma faixa em cada sentido) significaria tornar mais difícil a vida de quem quotidianamente a utiliza para habitar ou trabalhar. A avenida não é só dos seus comerciantes ou moradores, também não se destina apenas aos turistas que procuram as suas esplanadas. Nenhuma rua, nenhuma avenida é só do seu bairro…
Seria muito mau formatar uma avenida contra a cidade, contra o plural e o colectivo. A cidade é sinónima de convivência, de tudo e de todos. Ninguém pode acreditar que seja possível substituir a Avenida por um anel de oito quilómetros de comprimento e dez rotundas que só funcionará apenas num sentido, porque o futuro nó da A25, junto à “Vitasal” apenas permitirá a saída da auto-estrada.
Lisboa não fechou a Avenida da República quando abriu o eixo norte/sul, o Porto não encerrou a Avenida da Boavista quando inaugurou a VCI, Braga não bloqueou a Avenida da Liberdade quando construiu a sua circular. E é de bloqueio que se trata a proposta apresentada, desenhando a avenida como um lugar de exclusão, com fronteiras intransponíveis a nascente e poente.
O modelo de crescimento de Aveiro assentou na auto-mobilização dos seus munícipes que se viram forçados a procurar a periferia da cidade. Com a dificuldade dos transportes públicos em conviverem com essa cidade dispersa, a condição periférica seria ainda mais penalizada afastando mais o centro. A acessibilidade da Avenida é parte da sua sustentabilidade! Não há Avenida se não se puder entrar nela! Restringir o uso da avenida desse modo pode significar a sua asfixia. A cidade deve viver como um todo, integrado. A Avenida foi desenhada para unir e não para separar. Resolver a Avenida com este modelo viário significaria transformar a Avenida numa fronteira que dividiria a cidade em dois (o norte e o sul)

Nenhum Aveirense quer a avenida como está, mas duvido que a queiram do avesso! A avenida não necessita de transformações violentas que a isolem, antes precisa de medidas mais amigáveis e sustentáveis que promovam a sua procura: diminuir a contribuição autárquica na área central da cidade, promover a flexibilização dos horários comerciais, aumentar os passeios retirando a faixa central e repondo arborização frondosa, seriam verdadeiras soluções: rápidas, eficazes e económicas. Custariam uma pequena fração do que propõe a equipa encontrada para o projecto.
E é de sustentabilidade que se trata, sustentabilidade financeira e sustentabilidade urbana. Mas ambas parecem estar fora das preocupações da actual Câmara quando promove e suporta um projecto desenvolvido em direcção oposta.

Ricardo Vieira de Melo,
Arquitecto, Professor Universitário

Não ponho lá os pés…

A propósito do que aconteceu nos supermercados pingo doce no dia 1 de Maio.

Imaginem um senhor gordo, balofo e rico que vive numa região pobre que todos os dias é rodeado de crianças pobres a pedir esmola. Um dia de feriado, em que não há escola, em vez de serem 10 crianças a pedir esmola são 100 crianças. O sr. gordo, que é muito caridoso e nesse dia está muito bem disposto, resolve dar 10 moedas às crianças, então atira ao ar para o conjunto das crianças as 10 moedas. As 100 crianças lutaram pelas 10 moedas, no final havia muitos feridos e um desespero em muitas das crianças que não tiveram direito à moeda. Foi o que aconteceu com o pingo doce no dia 1 de maio. Toda a gente percebe que o Sr. Gordo é o Jerónimo Martins e que as crianças somos nós, que corremos ao pingo doce à busca da esmola. Eu nos próximos tempos não vou colocar o pé no pingo doce, pelo menos enquanto eles não colocarem todos os produtos a 50%. Se podem fazer isso um dia, podem fazer isso sempre. Ou seja exijo que o Sr. Gordo envie as 100 moedas para as 100 crianças.

Uma grande mentira


Daniel Pink escreveu um livro ”A Nova Inteligência” de que já falei aqui. Vivemos uma grande mentira quando se fala da importância de se dar grandes prémios e remunerações afirmando que desta forma as pessoas trabalham melhor, as pessoas trabalham bem se forem desafiadas a tal. O que se quer é manter vários estratos sociais para permitir uma diversificação de consumos e assim manter um sistema que custa caro, pois existe pessoas a viver com muito pouco e quase sem dignidade. Daniel Pink demonstra aqui, através de um estudo do MIT que as pessoas trabalham em função dos desafios e não em função da remuneração.

Fazer férias lá fora


O discurso deste Presidente mostra um pouco da sua pequenez. Ele deve querer regressar aquele Portugal pequeno de outrora, fechado, com poucos horizontes, apenas com o futebol e Fátima. Ainda por cima falou em pátria. Eu faço o discurso contrário “Portugueses façam férias lá fora, conheçam outras culturas, abram os horizontes, cultivem-se, tragam mais riqueza para Portugal, assim serão mais patriotas”.
Só espero que os meus vizinhos, quando me virem com as malas às costas para as minha viagem ao estrangeiro, não me acusam de anti-patriota, traidor da pátria e me julguem e me matem.
Só espero que o Cavaco não estenda o discurso aos automóveis, como nenhum é Português, temos que andar todos de bicicleta órbita, eu tenho uma.

O Muro


Foram muitas as estratégias que os grandes interesses financeiros desenvolveram para negociar. Esta “crise” foi a machadada final. Este é o começo do fim do estado social. O começo do fim do Sistema nacional de Saúde. Depois o terreno ficará livre para entrarem os PPR, os seguros de saúde, etc. Os grandes investidores, a banca e as seguradoras esfregam as mãos de contentes, vão ter um negócio de milhões. O muro estará a ser construído, no futuro só alguns terão acesso aos cuidados de saúde, acreditem nisso. Mas acreditem não vai ser este o muro, vai ser alto e em betão.

Fátima, Futebol, Fado e Fome no tempo da globalização

Há quem diga que o circulo se fechou, que regressamos ao tempo da velha senhora. Mas estamos mais globais. O mundo vai-se render à aparição de Fátima, ao Futebol português e ao nosso Fado. A Fome é muito mais global, mas podíamos fazer desta nossa capacidade de contornar a fome uma imagem de marca. Acho que mais um esforço vamos conseguir formar o V Império que Padre António Vieira idealizava. Estou a ver ainda o McDonalds ir a falência por causa da tasca do Zé, uma cadeia de slow food que tem como pratos mais apreciados o Cozido à Portuguesa, o Bacalhau à Bráz ou o barato prato Açorda Alentejana.

A História da Castanha-de-terra e os 7 gigantes

Existe por ai uma princesa que o pai não é rei e está ausente (foi em campanha de guerra num sonho de conquista), uma madrasta que vive pegada a uma espécie de espelho que fala connosco, um desses espelhos rectangulares que existem em todas as casas em grande número e que emitem sons e imagens. A madrasta perguntava ao espelho TV:

– Espelho meu existe alguém mais feio do que eu?

– Existe sim, a castanha-de-terra, que não é bonita, nem chique, nem tem um telemovel de última geração, nem um cabelo como a menina da Loreal, nem cheira a chanel 5 e nem veste como as da Fashion tv.

Então a madrasta, que quer ser a mais feia de todas, porque não há motivo para ser bonita, porque a vida é só sacrifício e depois há esse espelho, essa droga permitida que nos deixa ausentes da vida, revoltada coloca a Castanha fora do seu pequenino castelo. A castanha-de-terra sozinha na selva encontra um a um os sete gigantes, pensando que estava a concretização de um sonho de menina. O gigantes tornam-se maiores, ocupam espaço e esmaga-na, para que ela não tenha vida e eles ocupam a vida dela. A Castanha-de-terra (não confundir com a Branca-de-neve porque esta é outra história) ouve o que um bruxo tem para lhe dizer e engole a pastilha saborosa e suculenta que o bruxo lhe dá. Com mais umas e outras doses a Castanha-de-terra fica adormecida para sempre porque nesta história não há um príncipe que a beija e a vai salvar deste sonho eterno.

Neste ano Europeu de combate à pobreza histórias como esta repetem-se por todo lado com uma ou outra variante. Um país só é verdadeiramente rico se conseguir que os seus cidadãos possam concretizar os seus sonhos e tenham expectativas sobre a sua vida. Mais que criar infra-estruturas desnecessárias é importante investir verdadeiramente na cultura e na educação. Não é dar Magalhães a todos os Portugueses, sem eles não saberem muito bem o que fazer com eles, ou colocar uma pseudo banda larga nas escolas. É permitir a construção de conteúdos, é criar ofertas educativas e culturais verdadeiramente  significativas à população, é fazer com que as escolas e universidades sejam realmente uma porta aberta para o mundo, criar expectativas ás populações a vários níveis e abrir caminho para que essas expectativas se concretizem. Não a farsa das novas oportunidades que só criou mais frustrações e falsas expectativas.