Geométricas

Procurar as orgânicas, os movimentos espontâneos, isto é, compreender a natureza para depois demarcar na sua geografia. A construção também tem que ser uma desconstrução. É necessário reflectir e inflectir. Procurar está na essência da geometria. Resolver, encontrar o arco, ligar dois pontos, enfrentar um projecto e uma ideia, empreender uma lógica, um mundo.

Francisco Providência – desenho, desejo e desígnio

Logotipo da Universidade do Minho – Design de Francisco Providência

Comentário a uma ideia de Francisco Providência – “desenho, desejo e desígnio”

O autor concentra-se em três entidades para a definição de Design: desenho; desejo e desígnio. Para Providência o Design é “manifestação do desenho, fruto do desejo que persegue um desígnio”[1] onde para cada entidade está subjacente uma dimensão, ou um domínio, do Designer: ao desejo a poética; ao desenho a técnica e ao desígnio o programa.
Clarificando melhor estes domínios, F. Providência escreve: “O desenho designa, formula, cria, representa o que ainda não é (…) a materialização de um desejo, a transformação de uma intenção numa intensidade”. Relaciona ainda estas três entidades em; o desejo – no autor, o desígnio – no programa e o desenho na técnica. Desta forma o Designer demarca-se do engenheiro que apenas executa o programa e do artista que satisfaz o desejo.
Do ponto de vista do Design de comunicação o autor designa que esta “cria pelo desenho artefactos de comunicação” em que “artefactos de comunicação são, instrumentos que promovem no(s) outro(s), a recepção de mensagens”.
Outro dos aspectos a salientar neste texto é a distinção entre o Design de Comunicação e publicidade. Ao publicitário há apenas um único ponto a concentrar que é o mercado, o designer procura uma dimensão mais humanista e filosófica, não limitada pela mesquinha atitude de mercador, onde o desejo é uma entidade importante no método criativo. Por isso o “desenho da publicidade é perspectivo”, procura-se que o publicitário seja hábil na perspectiva. O “design é prospectivo” ou seja procura observar de longe onde a “construção dos artefactos assume um valor de metáfora na interpretação do mundo”.
[1] In Anuário do Centro Português de Design 98 ano sete / 19-20 P. 134

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