Patrick Schneider – manipulou uma imagem e foi despedido


Este prestigiado fotógrafo foi despedido do jornal onde trabalhava por ter manipulado uma fotografia no photoshop, apenas tornou mais vermelho o céu onde estava um bombeiro a trabalhar. Balançamos entre a verdade dos factos (onde a manipulação fotográfica é perigosa) e entre a expressividade necessária. Neste caso é ridículo, ele apenas tornou melhor a fotografia, tornou-a mais expressiva.

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Ildafonso Falcones – A Catedral do Mar


Romance Histórico com um excelente enredo e uma personagem que inicia o seu percurso como vassalo de um senhor, foge para Barcelona onde conquista a liberdade e vai exercer várias actividades, tendo sempre como fundo a construção da magnífica Igreja Gótica de Santa Maria Del Mar. O autor retrata a condição das mulheres, a perseguição aos Judeus, os métodos da Inquisição, a relação sociais e de trabalho numa Espanha medieval. Ler este livro é uma forma de passear pelos bairros da cidade velha de Barcelona.

O Assalto

Na minha casa há um buraco
entrou por lá um vazio
encheu-me a casa de nada.
Agora um silêncio invade esta casa
olhamos para o desabitado.
Lá fora os pássaros cantam,
um barulho e outro nos assusta
estamos com medo dessa violência.
Sabemos que por ai germina uma planta de vazio
estende-se como uma praga
ninguém a corta, ninguém a sulfata,
vive de uma brisa,
de um desejo cultivado,
de encher tudo com nada.

Pierre Bayard – “Como falar dos livros que não lemos?”

Este livro é profundamente pedagógico, humanista e libertador. Pierre Bayard, crítico do sistema de ensino, diz-nos “É que os nossos estudantes, como o ensino não desempenha plenamente o papel de desmistificação que deveria ser o seu, não se sentem no direito de inventar os livros. Paralisados pelo respeito aos textos e à proibição de os modificar, obrigados a sabê-los de cor ou a saber o que “contêm”, muitos estudantes perdem a sua capacidade interior de evasão, e proíbem-se de fazer apelo à sua imaginação, nas circunstâncias em que esta lhes seria, em boa verdade, mais útil.”  Este é um dos aspectos de encanto deste livro. Mas há mais, ele apresenta-nos a ideia de existência de uma “biblioteca interior” em cada um de nós, e é esta biblioteca interior que intervem sempre na leitura ou não-leitura dos livros e, é esta biblioteca interior, que nos permite falar dos livros que não lemos. Importante para um leitor (não-leitor) situar o livro nessa biblioteca interior ou na biblioteca colectiva “Porque não existem livros isolados. Um livro é um elemento neste vasto conjunto a que chamei biblioteca colectiva (…). O desafio é definir o seu lugar nessa biblioteca (…).” 
A afirmar que “(…) pois sabemos bem que toda a cultura, mesmo aprofundada, se constrói à volta de lacunas e falhas (…)” esta atitude é desmistificadora e libertadora, a mim, como professor, liberta-me de um peso enorme que tinha em cima, embora já há muito tinha presente na minha biblioteca interior esta ideia, este livro.
Um livro nunca é o mesmo para duas pessoas que o leem,  principalmente se essas pessoas forem dotadas de alguma criatividade. Assim como um livro pode ser diferente conforme a época em que o leitor o lê. Por isso “(…) os livros não são textos fixos, mas sim objectos móveis (…).”
Tudo isto o autor ilustra com personagens, diálogos, situações de, na grande maioria das vezes, de livros que concerteza foram lidos. Ou será que Bayard não os leu?

Tod Machover


Tod Machover é professor de música no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e desenvolve instrumentos digitais para espectáculos e para o músicos, alunos, professores, doentes e público em geral comporem música. Os instrumentos assim como os interfaces utilizados são facilitadores até para pessoas com deficiência. Penso que Tod Machover tornou algumas pessoas mais felizes.
conferência TED

hyperscore

toy symphony

Hyperinstruments

Delacroix – La liberté guidant le peuple

Este quadro é motivo de análise cuidada, pois representou um choque e uma transformação nos conceitos artísticos da época e por outro lado foi elemento de critica política. A ideia primeira é que é um quadro a exaltar o espírito revolucionário e enobrecer a ideia da revolução do povo movido por ideais liberais. Mas o quadro foi recusado pelo poder instituído após 1830, pois algumas coisas incomodavam. Primeiro era o ícone da liberdade, a mulher de chapéu vermelho representado várias vezes como ícone de uma ideia de nação, liberdade. Só que aqui essa mulher, está suja, queimada pelo o sol, um pouco nua, carrega uma arma, todos estes aspectos não davam a dignidade que o poder instituído queria a essa mulher. Depois aparecia acompanhada por bêbados, assassinos, ladrões, crianças, etc. que era uma ideia que não agradava, o Poder queria mostrar alguns burgueses ali misturados e que a gente do povo fosse gente séria, não ladrões e assassinos. Os mortos dão um carácter de violência da revolução, alguns estão nus, porque lhes roubaram as roupas, as armas, os sacos – vê-se algumas das personagens vivas a transportar esses objectos – é pouco digno essa ideia de despojar mortos dos seus bens. Todo a cena é encenada, como uma peça de teatro, uma ópera bem do novo espírito romântico da época, onde a arte tem um papel de intervenção política e social. Este quadro foi reproduzido várias vezes na história da França, foi ícone necessário, quase genético. (análise feita na sequência da série “A vida íntima de uma obra-prima”)

Cameron Sinclair – Open-source architecture

Parte-se do princípio que a arquitectura e o design pode ajudar as pessoas, principalmente aqueles que sofrem de problemas graves (fome, guerras, catástrofes, etc.). Partindo desta situação Cameron Sinclair tem desenvolvido formas dos arquitectos e designers participarem na resolução desses problemas. Muitos projectos ajudaram muito as situações. Eu acredito que o design e arquitectura podem salvar o mundo de uma forma mais pragmática e que a expressão artística pode salvar o mundo de uma forma de uma forma mais espiritual – criar mais humanidade.