Mantêm-te manipulável

Hoje num super mercado uma criancinha berrava aos pais “eu quero gelatina”, os pais disseram um não enfraquecido, então a criança gritou ainda mais alto e os pais, para não passarem vergonha, lá deram a gelatina a pobre criancinha que sofria por não ter gelatina. Gelatina é barata, mas quando a pobre criancinha quiser uns sapatos da nike, um carro ou um apartamento na Boavista, os pais vão dar, mesmo que tenham que fazer algum grande sacrifício, porque a criancinha assim deseja. E dizem os psicólogos que não podemos contrariar os desejos das criancinhas. Acredito piamente que se nós ouvirmos demasiado o que os psicólogos acabamos numa cama num hospital psiquiátrico. As crianças, os adolescentes têm que aprender a compreender os seus desejos, qual a sua fonte, quais os desejos que realmente valem a pena, saber optar entre um desejo e outro para realmente se sentirem felizes. Na “Era do Vazio” Gilles Lipovetsky esclarece-nos que estamos embutidos num ambiente de economia liberal e que muitas das nossas ideias, a nossa forma de estar, os nossos desejos são fruto dessa cultura, de uma manipulação para nos venderem coisas.

Quando realmente somos originais? Qual destes meninos são realmente originais? Que bom sermos irreverentes, mas será que somos mesmo irreverentes? Ou somos mesmo um produto publicitário de irreverência? Uma norma de irreverência? Além de mais se fossemos irreverentes não bebíamos Sumol, nem coca-cola. Talvez bebíamos água do poço.

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4 thoughts on “Mantêm-te manipulável

  1. Acho que falar sobre um tema do qual não se tem grandes conhecimentos é um tiro no escuro. A classe dos Psicólogos está assim denegrida devido a estes comentarios que sao desnecessários. A psicologia está a mudar em Portugal e assim como a psicologia, as mentalidades tambem deveriam mudar. Os psicólogos nao dizem que as crinaças nao se podem contrariar. Caso queira aprofundar este tema estude-o primeiro em vez de o comentar ao desbarato no seu blog.

    • Não tenho grandes pretensões em falar de psicologia. Acredito que não aprofundei a temática, nem tinha tal pretensão. Este blogue é pessoal e tenho a liberdade de colocar uma opinião minha (logo que não vá contra o estado de direito). Não tenho nada contra a psicologia como disciplina cientifica. Tenho uma opinião acerca dos psicólogos que contactamos profissionalmente ou então os mediáticos. A estes acredito que são responsáveis por muitos equívocos pedagógicos. Vejo-os a fazerem comentários e crónicas inconsequentes, primitivas e básicas (algumas são populares) e que tornam a tarefa de quem quer ensinar quase impossível. É desta psicologia de trazer por casa e permissiva que abunda na sociedade portuguesa que eu estou um pouco farto. Respondo-lhe ainda, que sou um grande estudioso de coisas amarelas, há quem diga que até sou um grande especialista.

  2. Estou a ficar confusa, mesmo muito baralhada. E desta feita, tenho a certeza que é da idade, dos conhecimentos que tenho adquirido, porque a eles estou aberta e dos comportamentos que tenho observado, porque a eles estou atenta e preocupada…
    Qualquer pai/mãe, conscientes do seu papel de educadores, terão o bom senso de dizer “não” às suas crias, quando essa for a solução que entendam por mais correcta na educação das mesmas.
    Sou mãe de uma filha com 32 anos. Tarefa árdua, a de educar, muito particularmente, se se tem de dizer “não”. Foi necessário fazê-lo algumas vezes e não me arrependi de nenhuma, por mais que me doesse o coração no momento. O mesmo aconteceu com o pai. Ainda bem que não banimos a tal palavrinha incómoda.
    Acontece que observo nas crianças e jovens que chegam à escola que o “não” é para ser usado por eles e a seu belo prazer… Desconhecem a palavra, seu significado, sua força. O “não” de um professor é desprezado, ignorado, ridicularizado.
    Chegam-nos, com frequência, relatórios de psicólogos que nada acrescentam ao que já observámos, nós os professores, que trabalhamos com os alunos num contexto de trabalho real, autêntico e natural, dia após dia, mês após mês – na sala de aula, em contexto turma, temos uma visão mais alargada das problemáticas que os jovens possam apresentar. Não me queiram convencer de que observar um aluno isoladamente do grupo num gabinete é o mesmo. Não é. De todo. Constam muitas vezes nesses relatórios directrizes para os professores, referências ao trabalho a fazer na aula, etc, etc.
    Será que estes psicólogos estão na posse de um curso vocacionado para o ensino, que lhes permite tanta segurança nas opiniões emitidas? Será que têm uma pequena ideia dos conteúdos a trabalhar, da metodologia a seguir e das estratégias a utilizar nas diferentes áreas? Será que sabem o que é trabalhar com turmas de 26 alunos que apresentam uma enorme heterogeneidade? Será…? Ou será… “um tiro no escuro”?
    Sem dúvida, que a Psicologia está a mudar em Portugal, ao sabor das mudanças preconizadas por outros estudiosos da área no estrangeiro. Ordem natural das coisas, a que já tão habituados estamos. E tem mesmo de mudar, porque a sociedade está em constante estado de convulsão e de mutação, a um ritmo alucinante. Urge a mudança de mentalidades, incluindo a dos pais, dos alunos, dos psicólogos e dos professores, dos políticos…De todos.

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